Casa Branca suspende credencial de jornalista após discussão com Trump

Redação Portal IMPRENSA | 08/11/2018 09:07

A Casa Branca confirmou a suspensão da credencial do jornalista Jim Acosta. O profissional trabalha para a rede CNN e havia discutido com o presidente Donald Trump durante a coletiva da última quarta-feira, dia 7. 

Crédito:Reprodução/Youtube

A confusão teve início por causa de uma pergunta feita pelo repórter na qual ele questionava se o dirigente não estava "demonizando" os imigrantes que integram a caravana de latino-americanos que se aproxima dos Estados Unidos. Irritado, Trump chamou Acosta de "inimigo do povo" e o acusou de dar notícias falsas. 


Durante a discussão, uma das estagiárias do serviço de comunicação da Casa Branca tentou tirar o microfone usado para fazer pergunta das mãos do repórter que não quis entregá-lo. "O presidente Trump acredita na liberdade de imprensa e espera que façam perguntas difíceis a ele e a seu governo. No entanto, nunca vamos tolerar um jornalista que ponha as mãos em cima de uma mulher jovem que simplesmente tenta fazer seu trabalho como estagiária na Casa Branca", informou a porta-voz da presidência, Sarah Sanders, no comunicado. 


A Associação de Correspondentes da Casa Branca criticou a atitude do governo e pediu a reversão da medida classificada como uma "ação frágil e equivocada". Para a entidade, a decisão foi uma maneira de "usar credenciais de segurança do serviço secreto dos Estados Unidos como uma ferramenta para punir um repórter com quem tem um relacionamento difícil". 


A CNN declarou que os ataques do presidente à imprensa "não são apenas perigosos, são preocupantemente antiamericanos". Trump tem uma relação difícil com a emissora. Geralmente, quando manifesta suas críticas contra a imprensa, o presidente americano cita a rede, acusando-a frequentemente de divulgar informações que ele considera falsas. 


Outros ataques


A coletiva de quarta-feira, aliás, foi rica em confrontos do presidente com jornalistas. Durante a confusão com Acosta, Trump também criticou Peter Alexander, da NBC, quando esse tentou defender o companheiro de profissão, chamando-o de diligente. Nesse momento, o presidente afirmou que também não era "fã" de Alexander e não o considerava o melhor entre outros profissionais. 


A jornalista April Ryan, também da CNN, foi outro alvo de Trump. Ele a mandou ficar quieta quando a repórter tentou fazer uma pergunta sem estar com o microfone. 





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