Declarações de Bolsonaro contra a imprensa preocupam entidades

Redação Portal IMPRENSA | 31/10/2018 08:40

Após declarações polêmicas relacionadas à liberdade de imprensa feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) se manifestaram sobre a situação. Em comunicados, as entidades declararam sua preocupação com o que tem sido dito. 

Crédito:Fernando Frazão/Agência Brasil


"O respeito à Constituição - à qual o presidente fará um juramento solene de obediência no dia 1º de janeiro de 2019 - não é pleno quando a imprensa se converte em objeto de ataques e ameaças", contém o texto da Abraji. 


Em nota, a ANJ ressalta que: "A ANJ espera que o princípio da liberdade de imprensa, saudavelmente afirmado pelo presidente eleito em seu discurso após a vitória nas urnas, se manifeste na prática, o que inclui o respeito a opiniões divergentes e à independência editorial, fundamentos da pluralidade de visões e da democracia".


Entre os motivos da preocupação estão a ameaça feita pelo político ao jornal Folha de S. Paulo. Durante entrevista ao Jornal Nacional, na segunda-feira, Bolsonaro disse: "Não quero que (a Folha) acabe. Mas, no que depender de mim, imprensa que se comporta dessa maneira indigna não terá recursos do governo federal. Por si só esse jornal se acabou".


Antes, o presidente da sucursal São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcos da Costa, já havia manifestado sua preocupação com os riscos à liberdade de imprensa no país. "A liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, ao lado do livre exercício da religião, do direito das pessoas se reunirem pacificamente e, ainda de poderem reivindicar reparações às ofensas recebidas, constituem o lume da democracia moderna. (...) Sob a bandeira da liberdade de imprensa, pressões, intimidação de jornalistas, ameaça aos meios de comunicação, enfim, qualquer tipo de violência contra a livre expressão constitui ataque direto à democracia. A OAB SP reafirma seu compromisso com os valores de uma imprensa livre, sustentáculo do Estado Democrático de Direito. Que continuará a ser o caminho mais elevado da civilização que os defensores das liberdades, dos direitos e de cidadania desejam para o Brasil", afirmou em nota.


A causa da ira do presidente eleito contra a Folha foram as revelações feitas pelo periódico de que ele usava verba da Câmara para pagar Walderice dos Santos da Conceição como funcionária em seu gabinete de deputado federal, quando a mesma vendia açaí em uma barraca em Mambucaba (RJ). Às vésperas do segundo turno, o jornal também revelou um esquema pelo qual empresários pagavam empresas para dispararem mensagens com conteúdos anti-PT, o que é vetado pela lei eleitoral. 


Leia aqui a íntegra da nota da Abraji. 

Leia aqui a íntegra da nota da ANJ.  


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