Assassinato de radialista no Pará completa três meses: "Ele batia sem dó", diz diretor de rádio

Redação Portal IMPRENSA | 24/09/2018 21:13

O assassinato de Jairo de Sousa, em Bragança (PA) completou três meses na última sexta-feira e até o momento ninguém foi preso. Conhecido na cidade por sua atuação contra a corrupção e o crime organizado, o radialista fazia denúncias na Rádio Pérola FM e deixou um vácuo não apenas na vida de quem convivia com ele, mas até na programação da emissora.

Crédito:Divulgação Polícia Civil
Jairo fazia denúncias relacionadas à corrupção em Bragança (PA)

Seu horário, voltado para o jornalismo, foi substituído por música. O medo fez com que o perfil da rádio fosse alterado. Ninguém quem mais correr riscos, como correu Jairo, segundo informações da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), que apura o caso por meio do Programa Tim Lopes de Proteção a Jornalistas.


“Jairo era um radialista que não tinha limites e denunciava autoridades, não só de Bragança como de outros municípios, sobre desvio de dinheiro público, obras inacabadas e crime organizado. Era uma bomba atômica ambulante. Batia forte, sem dó. Usava palavras pesadas como vagabundo, ladrão que rouba dinheiro de povo. Isso cria um certo ódio”, explica Gerson Peres Filho, diretor-geral da Rádio Pérola FM.


A investigação da polícia do Pará ainda está aberta, mas sem nenhum suspeito preso. Há pelo menos 12 nomes citados pelo radialista nos últimos dois meses em áudios do programa que estão nas mãos das autoridades. Alguns, inclusive, já foram ouvidos pela polícia. Como o caso está sob sigilo, há poucas informações sobre o avanço das investigações.


Jairo de Sousa foi morto ao chegar ao prédio onde fica a Rádio Pérola FM. Ele abriu o portão e quando já estava subindo uma escada que dá acesso ao prédio foi atingido por dois tiros no abdômen.


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