Assembleia Geral da SIP vai discutir repressão à imprensa na Nicarágua, Venezuela e Cuba

Redação Portal IMPRENSA | 19/09/2018 06:47

O clima de insegurança e assédio contra jornalistas e veículos de comunicação independentes na Nicarágua, Cuba e Venezuela serão temas de destaque na 74ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), entre os dias 19 e 22 de outubro, em Salta, na Argentina.

Crédito:La Prensa / J. Flores
Jornalistas do Canal 10, da Nicarágua, pedem fim da perseguição do governo

A informação foi confirmada pelo presidente da SIP, Gustavo Mohme. A organização protetora da liberdade de imprensa vem alertando há alguns meses diversas violações dos direitos de expressão nestes três países.


Desde abril, quando começaram os protestos na Nicarágua pela renúncia do presidente Daniel Ortega, já foram mortas mais de 300 pessoas e outras 300 foram presas por se posicionarem contra o governo.


Na cobertura destas manifestações, os jornalistas também são vítimas de difamação nas redes sociais, de ameaças de morte e sofrem abusos de autoridade. Uma repressão que afronta a liberdade de imprensa com o claro objetivo de impedir o crescimento dos protestos.


Na Venezuela, já deixaram de circular 26 jornais por conta da investida do governo Nicolás Maduro contra a imprensa. E, pior, 20 deles foram fechados definitivamente. Órgãos estatais fazem a repressão de todas as formas, inclusive com o uso abusivo de processos arbitrários contra jornalistas que criticam Maduro.


Tanto na Venezuela, quanto na Nicarágua, profissionais estrangeiros de imprensa também têm sido perseguidos, passam por interrogatórios, têm equipamentos detidos e material coletado apagados de seus computadores e câmeras.


Em Cuba, a situação também é caótica. Somente em agosto, a Associação Pró Liberdade de Imprensa registrou 12 casos de repressão a jornalistas. As ameaças não poupam nem mesmo os familiares dos profissionais.


Em recente caso, o jornalista independente Serafín Morán Santiago fugiu de Cuba para os Estados Unidos (via fronteira do México) depois de receber ameaças de morte. Como entrou ilegalmente no país, foi preso pelas autoridades americanas.


Por tudo isso, o trabalho da imprensa na Nicarágua, na Venezuela e em Cuba será tema da Assembleia Geral da SIP. “Temos de dar atenção especial aos jornalistas e meios destes três países que enfrentam situações graves de violência e instabilidade”, justificou Gustavo Mohme.


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