Jornalistas são condenados a sete anos de prisão. ONU intervém e pede a libertação

Redação Portal IMPRENSA | 03/09/2018 14:26

O que diversas entidades de defesa da liberdade de imprensa e dos direitos humanos no mundo todo temiam se confirmou. Um tribunal de Mianmar, no sudoeste da Ásia, condenou dois jornalistas da Agência Reuters a sete anos de prisão por violarem a “Lei de Segredos Oficiais” do país.


Crédito:EFE / EPA / Nyein Chan Naing
Kyaw Soe é escoltado por policiais na chegada ao julgamento


A informação foi divulgada pela Agência EFE logo após o julgamento, que estava marcado para dia 27 de agosto, mas foi adiado para esta segunda-feira por conta de um problema de saúde do juiz que cuida do caso.


Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe, de 28, investigavam o massacre do grupo étnico Rohingyas, na aldeia Inn Dinn, quando foram presos em dezembro de 2017, acusados de portarem documentos confidenciais sobre operações das forças de segurança no estado de Rakhine.


Tais arquivos foram entregues por policiais que eram fontes dos dois jornalistas durante a apuração das informações sobre o massacre. Eles dizem ter sido vítimas de uma armação justamente para serem detidos. Agora, os réus têm mais duas instâncias para ecorrer: o Tribunal Estadual de Rakhine e a Suprema Corte.


Assim que os jornalistas de Mianmar foram condenados, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, se manifestou em Genebra, na Suíça, logo no seu primeiro dia no cargo. “Eu realmente acho que esta é uma notícia terrível e chocante, e peço ao governo (de Mianmar, antiga Birmânia) para libertá-los”, afirmou.


O caso também mexeu com o Reino Unido - base da Agência Reuters. O porta-voz da primeira ministra Theresa May se pronunciou em nome dela, e também pediu a libertação dos dois profissionais, destacando que os jornalistas devem ter liberdade para realizar o trabalho sem medo ou intimidação.


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