Documentarista brasileira é presa na Nicarágua, sofre maus tratos e é deportada para os Estados Unidos

Redação Portal IMPRENSA | 28/08/2018 11:04


A América Central segue acumulando exemplos de violação dos direitos de liberdade e expressão. Desta vez, o problema envolveu uma brasileira na Nicarágua. A documentarista Emília Mello foi detida no último sábado enquanto se preparava para filmar protestos contra o governo. Foi deportada no domingo, mas antes disso denunciou maus-tratos sofridos durante a detenção.


Crédito: La Prensa / O. Navarrete
Protestos contra o governo de Daniel Ortega começaram em abril


A informação foi confirmada pelo secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Paulo Abrão, em sua conta no Twitter. “A brasileira-estadunidense Emilia Mello relata que sofreu um longo interrogatório e maus-tratos psicológicos de parte das autoridades na Nicarágua. Ela foi deportada ontem à tarde (domingo) em um voo que saiu para El Salvador. Seguiu para a Cidade do México e hoje (segunda) irá para Nova York”, escreveu.


Emilia Mello também tem cidadania americana e iria gravar um projeto sobre a crise na Nicarágua no momento em que foi detida. Ela foi presa com outras 19 pessoas, todas nicaraguenses, que foram liberados depois.


Este é mais um caso de violência no conturbado ambiente do país. A Nicarágua sofre com a repressão do governo aos protestos que tomam conta do país desde abril, quando um movimento popular conseguir frear as reformas sociais. Desde então, os manifestantes querem a renúncia do presidente Daniel Ortega, que está há 11 anos no poder e é acusado de abuso e corrupção.


De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), já são mais de 300 civis mortos devido à brutal repressão do governo.


A perseguição à imprensa também se tornou rotina. Carlos Pastora, diretor-geral do Canal 10, da Nicarágua, buscou refúgio na embaixada de Honduras, na cidade de Manágua.


Segundo o site La Prensa, da Nicarágua, Pastora tentou embarcar no dia 21 de agosto para Miami e os agentes de imigração não permitiram seu embarque no avião, alegando que ele estava sob restrição migratória.


Como é hondurenho, Pastora não pensou duas vezes em pedir ajuda à embaixada de seu país na Nicarágua. Ao mesmo tempo, ele enviou uma carta ao Comissário Nacional de Direitos Humanos de Honduras, Roberto Cáceres, explicando sua situação. O documentou chegou a ser divulgado e foi lido no ar pelo Canal 10.


“Meus direitos humanos estão sendo violados por parte do governo, e minha família e eu tememos por nossas vidas, denunciando que poderíamos ser mortos, e clamando às autoridades do meu país, que nos ajude imediatamente”, escreveu Pastora.


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