Vereador que agrediu cinegrafista e ameaçou repórter é condenado em MG

Redação Portal IMPRENSA | 28/08/2018 06:57

Não é novidade jornalista ser ameaçado e sofrer agressões no exercício de suas funções. Surpresa, mesmo, é quando o agressor paga pelo seu erro. E, em Varginha-MG, após um ano de espera, o vereador Marco Antônio de Souza (PRB) foi condenado em dois processos pela Justiça de Minas Gerais por agredir uma equipe de reportagem da EPTV Sul de Minas, afiliada da Globo.


Crédito:Reprodução / EPTV Sul de Minas
Vereador impediu a entrada da equipe em lixão e ameaçou: “Aqui nóis já matou (sic) uns três”


A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. Na esfera civil, Marquinho da Cooperativa, como é conhecido, terá de pagar uma indenização por danos morais para a repórter Andreia Marques, ameaçada pelo político durante uma reportagem em Varginha.


No outro processo, movido pelo Ministério Público, o vereador foi condenado a fazer uma doação para uma entidade filantrópica e comparecer todo mês à Justiça para dar um parecer sobre suas atividades. Além disso, também está proibido de sair da cidade por mais de dez dias sem  autorização do juiz.


O caso aconteceu há pouco mais de um ano, no dia 4 de agosto de 2017. Andreia Marques e o repórter cinematográfico Tarcísio Silva faziam uma matéria sobre o problema do transporte de lixo para o novo aterro sanitário. Ao chegarem na entrada do Centro de Triagem do antigo lixão, um espaço público, os dois foram impedidos de entrar no local por Marquinho da Cooperativa.


Com a resistência da equipe de TV, o vereador começou as ameaças, enquanto a câmera estava ligada e dezenas de catadores de lixo assistiam a cena. “Você sabe com quem está falando?”, questionou Marquinho da Cooperativa, repetindo a pergunta mais duas vezes para Andreia Marques. “Aqui nóis já matou (sic) uns três, minha filha. Eu sou homem”, completou.


A repórter, então, o interrompeu, indagando se ele a estava ameaçando. O vereador respondeu com nova intimidação. “Não estou ameaçando, não. Tem mulher para conversar com você. Espera aí”, afirmou, apontando para o local onde estavam as catadoras.

Na sequência da discussão, ele percebe que tudo está sendo gravado e vai para cima do cinegrafista e lhe dá um chute. Alguns catadores de lixo pedem para não filmar. Pouco tempo depois, mais calmo, o vereador se dirige novamente à equipe de reportagem e pede desculpas e se prontifica a “conversar de boa”.


A conversa, no entanto, foi parar no tribunal. E o vídeo gravado serviu como prova para o juiz Morvan Rabêlo de Rezende condenar o vereador. “O réu, ao falar com a autora, dirigiu-se à mesma com tom de ameaça, inclusive em dado momento da gravação disse já ter matado três por ali, bem como determinou que fossem chamadas para a discussão as catadoras que estavam trabalhando, sob alegação de que, por serem mulheres, podiam conversar com a autora, caracterizando coação por parte do réu”, justificou em sua sentença.


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