Jornalista Luiz Octavio de Lima lança livro sobre revolução de 1932

Marcia Rodrigues | 20/08/2018 09:13

Depois de mais de dois anos de pesquisa, entrevistas e visitas aos locais onde ocorreram os fatos, o jornalista Luiz Octavio de Lima lançou, em julho, o livro “1932: São Paulo em chamas”. A obra é a quarta escrita por Lima em cinco anos.

Crédito:Divulgação


Autor do best-seller “A Guerra do Paraguai” (2016) e finalista do Prêmio Jabuti com “Pimenta Neves – Uma reportagem” (2013), o jornalista afirma que o período da revolução constitucionalista é particularmente interessante para ele por ter determinado transformações mundiais decisivas na economia, na política e nas relações sociais. 


“Depois de ter finalizado o projeto de ‘A Guerra do Paraguai’, meu livro anterior, de 2016, que está indo para a quarta edição, a Editora Planeta quis discutir um novo projeto. Sugeri algo sobre a República Velha, que ainda é pouco abordada e estudada, e acabamos chegando ao tema da Revolução Constitucionalista, que, de alguma forma, marca de forma dramática o fim daquele período da nossa história. É um episódio muito rico e que pouco havia sido abordado com uma perspectiva nacional. ”   


Segundo Lima, o livro reconstitui o levante contra o governo Vargas que eclodiu na capital paulista e teve reflexos em todo o país, além de trazer novas visões sobre o conflito, discutir os mitos que o envolvem, investigar suas motivações e detalhar a participação de seus personagens mais relevantes.


E o autor afirma que há aspectos inusitados na história relatados na obra. “Demonstro no livro que o movimento não foi algo restrito aos paulistas, mas que encontrou apoio - ainda que reprimido - em diversos outros estados, como Bahia, Mato Grosso, Amazonas, parte de Minas Gerais, parte do Rio Grande do Sul e até mesmo em setores do Rio de Janeiro, que era a capital federal na época.”


Outro aspecto relatado por Lima trata da história de cada um dos M.M.D.C, os mortos em decorrência dos protestos de 23 de maio de 1932 contra o governo federal, no centro da capital paulista. “Eles são normalmente mencionados como ‘jovens estudantes de Direito’, quando, na verdade, não eram todos jovens - Camargo era um pai de família, com três filhos -, nenhum cursava Direito e apenas um era estudante (Euclides Miragaia), mas da Escola de Comércio Álvares Penteado.”


De acordo com o jornalista, na obra ele tentou esclarecer como se davam as relações de poder, locais e federais. “Procurou dar importância especial ao envolvimento humano, a atuação da população, do homem comum, nos dois lados do conflito. Obtive muitos relatos escritos de personagens anônimos, alguns encontrados nas fardas de voluntários que morreram na revolução. Nesses textos, percebemos todo o idealismo, a dedicação à causa que consideravam justa e o sacrifício feito com convicção, a despeito de seu pouco treinamento bélico. Também tentei revelar histórias de combatentes do lado federal.”


O jornalista, que atuou durante muito tempo em redação, lançou seu primeiro livro, o Pimenta Neves - Uma reportagem", em 2013, quando ainda trabalhava no Diário do Comércio, seu último trabalho em jornal diário. Antes disso, passou pelos veículos O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo e revista Veja. 


Segundo ele, sua migração não teve relação com a crise enfrentada pelas redações, que estão cada vez mais enxutas. 


“Foi um trabalho que me tomou quatro anos, em paralelo à rotina jornalística diária, e que me valeu a posição de finalista do Prêmio Jabuti de Literatura. Esta repercussão motivou um convite da Editora Planeta para que eu desenvolvesse projetos de cunho histórico para seu catálogo. Não houve relação com a crise das redações, mas foi uma feliz coincidência que esse mercado se abrisse para mim naquele momento. E os projetos que temos realizado são muito estimulantes, como parece que são também para os leitores, já que a resposta deles tem sido extremamente positiva.  


Com quatro livros na bagagem, Lima já está em negociação para o próximo projeto, que promete ser de cunho histórico mais uma vez.


“No momento, há um crescente interesse em conhecer em detalhes os momentos importantes da trajetória nacional, certamente para entender em que país vivemos e como chegamos até aqui. Tentamos realizar isso sem viés ideológico e com uma abordagem mais jornalística, que tenta levar o leitor ao cenário dos fatos, oferecendo a ele os elementos para refletir, sem impedi-lo de tirar as conclusões que achar mais procedentes. Longe de serem tratados históricos, são verdadeiras reportagens sobre determinadas épocas. Reportagens de longa-metragem, por assim, dizer.”


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