Livro mostra “o negócio sujo das fake news” e os riscos gerados pelas redes sociais

Marcia Rodrigues | 03/08/2018 10:00

As fake news, que estão invadindo a internet, as redes sociais e os grupos do WhatApp  e se tornando cada vez mais nocivas para a sociedade, também geram lucro para algumas empresas. É o que conta o engenheiro Fernando Azevedo, autor do livro “O negócio sujo das Fake News”.

Crédito:Montagem/divulgação


A obra expõe as técnicas de empresas especializadas nesse campo, revelando como elas promovem anúncios, criam conteúdo viral e usam big data e inteligência artificial para melhor segmentar e influenciar o público. “O objetivo desta publicação não é apenas conscientizar as pessoas sobre o que os hackers podem fazer, mas também defender leis que possam proibir e punir quaisquer ações manipuladoras e ilegais na Internet”, comenta o autor.


De acordo com o autor, há um mercado paralelo que lucra com a disseminação das fake news. Ele cita três exemplos:


•Sites que ganham com publicidade e precisam de alto tráfego. Logo, eles apelam para notícias virais e fake news para manter o público clicando e compartilhando.

•Empresas de marketing digital sem ética que trabalham com políticos e eleições espalhando fake news para difamar opositores;

•Empresa que cria contas falsas e notícias falsas do concorrente para conseguir os clientes deste.


Azevedo também fala sobre os riscos de se usar a internet e as redes sociais. Segunde ele, quanto mais tempo uma pessoa passa nas mídias sociais, seja curtindo, compartilhando, comentando ou simplesmente lendo as postagens e assistindo os vídeos, mais ela gera informações sobre si, seus gostos, interesses e até hábitos. 


“Esses dados podem ser usados para manipular as ações das pessoas. A menor preocupação deve ser quanto à influência aos hábitos de compra. Há quem confie apenas nas mídias sociais como meio de comunicação para se manter informada. Entretanto, nem todas as informações que circulam nestas redes são verdadeiras. As notícias podem manipular pontos de vista, a ponto de mudar o resultado de uma eleição num país, e até mesmo influenciar valores éticos e morais.


O autor ressalta que além desses fatores, agora também há problemas muito sérios acontecendo na internet como cyberbullying, cyberstalking, trolls, haters, fake news, e outros crimes digitais como pedofilia, violação de direitos autorais, tráficos de armas e drogas, entre outros, que merecem atenção.


No livro, o autor ensina como reportar fake news, como entrar com uma ação na justiça, como proceder em casos de emergência e também como verificar se uma notícia é verdadeira ou não.

Segundo Azevedo, apesar de a justiça brasileira ter leis para difamação, calúnia e contas falsas, o processo é demorado e causa muito constrangimento para quem está sendo assediado. “ No caso de serem hackers, que sabem se manter anônimos na internet, o problema pode ser ainda maior. ”


O engenheiro também faz um alerta sobre o crescimento dos trolls amadores. “São pessoas que criam contas falsas com notícias falsas ou de raiva para difamar e assediar. Isto é crime, e o círculo está se fechando contra estas pessoas. Tenho a impressão que muitos não entenderam que difamação e calúnia na internet são crimes e as redes sociais são obrigadas a identificar os criadores quando recebem um processo.”


Sobre o livro:

eBook Kindle

136 páginas

Preço: R$ 24,99

Vendido por: Amazon Serviços de Varejo do Brasil Ltda


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