Opinião: "A era Neymar, marketing e cia", por Leandro Massoni Ilhéu

Leandro Massoni Ilhéu | 01/08/2018 16:54
Crédito:Arquivo pessoal
Nos dias que antecederam a publicação deste meu mais novo artigo, pensava em algum tema que tivesse uma ligação – indireta, se possível – com a Copa do Mundo realizada na Rússia, na qual a seleção da CBF demonstrou ainda estar inapta para desafios maiores, como a sexta conquista mundial. 

Logo pensei: por que não falar de Neymar? Mas seria um tema completamente batido, visto que outros canais de comunicação tem falado do jogador? Não, uma vez que dependia somente de como eu fosse abordar, ou seja, angular o assunto neste texto. 

Atualmente o tema em destaque sobre o “Menino Ney” é seu descrédito quanto à sua pífia atuação no mundial em terras russas, além de suas formas nada convincentes de tentar aplacar suas dores e a falta de sorte através de “terceiros” (campanhas publicitárias, posts nas redes sociais etc.). 

Neste sentido, e baseando-me, claro, no panorama atual do jornalismo esportivo, observo que, sim, existe essa rixa entre Neymar e a imprensa. Mas por que ela é ocasionada? Acredito que não seja somente pelo comportamento um tanto arredio do craque do Paris Saint-Germain com os profissionais da comunicação, e sim, de sua equipe de marketing, que tenta, através de propagandas e demais artifícios, valorizar sua imagem pelo mundo. Contudo, todos os esforços tem sido em vão.

Recentemente, uma empresa de lâminas de barbear (não preciso dizer o nome dela, certo?) fez uma peça publicitária na qual mostra o boleiro em um “martírio”, uma caminhada ao calvário repleta de encontros e desencontros pregados pelo destino e seus intercessores, que podem ser desde as faltas nele cometidas e, posteriormente, suas caídas acompanhadas de berros e estardalhaços direcionados à arbitragem, até alguns momentos marcantes, no sentido negativo, como a falta cometida pelo colombiano Zúñiga, que lesionou a então esperança da seleção verde e amarela da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

É claro que já não se faz tão necessário dizer que esse vídeo promocional, circulado nos meios televisivos e digitais, somente ajudou a deteriorar ainda mais a situação do futebolista, que evidentemente, ainda tem um futuro brilhante dentro das quatro linhas. Mas o que vemos, no quesito comunicação, é a falha desta função de estreitar uma relação de empatia entre o jogador e os torcedores, o que também acaba virando trunfo para outros canais esportivos, que são mais voltados aos debates acalorados, poderem cobrar uma postura mais madura do atual camisa 10 do técnico Tite.

Resumindo: a comunicação entre emissor e receptor deve ser clinicamente trabalhada para que não haja falhas que podem, involuntariamente, aludir que o público alvo não é capaz de compreender que uma mensagem como esta feita pelo patrocinador de Neymar somente serve para “mascarar” a má fase do atleta detentor do título de transferência mais caro do futebol. 

A tentativa de tentar “ressuscitar” a carreira e a moral de um dos maiores ídolos do atual cenário esportivo brasileiro e mundial pode ter sido com boas intenções, mas não foi conveniente em um momento no qual a cobertura esportiva costuma “pesar” com certas figuras que estão em evidência, seja porque tiveram atitudes boas ou ruins dentro ou fora das quatro linhas. Nesses casos, o silêncio seria o melhor remédio para acalmar os ânimos aflorados pela imprensa, que cada vez mais está em polvorosa, principalmente com o Príncipe do Gol, que necessita colocar as ideias no lugar antes de calçar as chuteiras. 

*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.

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