Estratégias de comunicação para o fortalecimento de uma comunidade de SE

Redação Portal IMPRENSA | 26/07/2018 16:59
Marilia Santos se formou este ano em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal de Sergipe e abraçou o desafio de desenvolver um plano de comunicação para a Associação de Mulheres produtoras de óleo de coco, da comunidade quilombola Santa Cruz, em Brejo Grande (SE). Para isso, ela visitou e se aproximou da comunidade. 

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Marilia comenta os bastidores do desenvolvimento do seu TCC.
Crédito:Rótulo Letícia Matos / Foto Marilia Santos

Sobre o trabalho  

O objetivo foi construir estratégias de comunicação de curto, médio e longo prazo que pudessem ser realizadas pelas próprias mulheres, de acordo com os conceitos trabalhados durante o projeto, como a economia solidária e a comunicação regional e comunitária. Além disso, conhecer a organização das mulheres e contribuir para o seu fortalecimento.

Principais desafios ao longo da produção

Um dos desafios foi a aproximação com a comunidade. O território sofre com a intensa disputa entre os quilombolas e os fazendeiros da região, além do interesse de construtoras que têm a intenção de expulsar os moradores para a construção de um resort de luxo. Isso implica em uma desconfiança em novos visitantes da comunidade, mas a vantagem foi o trabalho anterior realizado pela minha orientadora, que já havia feito o doutoramento dela no local. Outro ponto foi a observação sem a interferência nas tradições e costumes dos quilombolas, utilizando o aprendizado nas disciplinas de Antropologia para não manipular os resultados do projeto. Embora fosse complicado ter situações em que não pude interferir.

Os aprendizados

O aprendizado mais notável foi o de conseguir ouvir e representar as histórias das mulheres de maneira fiel, sem subjugá-las a minha visão acadêmica. Foi também poder perceber uma outra perspectiva de organização que não conhecia, mesmo que eu seja militante em causas feministas, a organização das mulheres quilombolas se diferencia bastante por tratar de negritude, território e comunidade tradicional. E um aprendizado, no sentido de conhecer conflitos por territórios invisibilizados pela mídia sergipana, tendo até uma nota extensa da construtora que queria expulsar os quilombolas, onde o título é “A verdadeira história”. Tive o conceito reforçado de que ouvir as vozes de grupos marginalizados é uma outra forma de fazer jornalístico, que não nos é ensinado.

O significado dessa experiência 

Pessoalmente foi uma grande surpresa a forma como as mulheres receberam meu projeto, sendo bastante acolhedoras e tendo uma relação de amizade com uma pessoa de fora de seu território. Foi uma grande descoberta para mim o local e a comunidade em si, tornando Brejo Grande um dos melhores lugares que já fui na vida. Do ponto de vista acadêmico, foi possível fazer um trabalho de conclusão de curso fora do convencional, onde o objetivo não era apenas finalizar um ciclo e sim contribuir para a vida de pessoas de forma concreta.

O plano de comunicação foi pensado para o desenvolvimento futuro, sendo um indicador do que as mulheres podem fazer se houver o incentivo necessário. É um trabalho que gostaria de dar continuidade, mas a inviabilidade financeira não permite.

Conselho para quem está fazendo o TCC 

Escolha um tema que te faz bem, sem ceder às pressões acadêmicas em relação às perspectivas jornalísticas que se deve ter no futuro. Se você quer trabalhar com pessoas e suas histórias, escolher um trabalho prático que vai te levar a campo é uma boa opção. Sintam o trabalho que vocês querem fazer, em todos os sentidos. Não é a finalização do seu curso, é o seu retorno para a sociedade sobre tudo que você aprendeu.
Crédito:Foto Marilia Santos
Reunião com a comunidade para apresentação do logo


O rótulo foi feito por Letícia Matos, estudante de Publicidade e Propaganda que aceitou meu convite e foi a campo comigo para poder, através do contato com as mulheres, projetar uma logomarca para o óleo de coco. Não é a versão definitiva, mas foi a última versão que apresentei às mulheres e elas sugeriram modificações pontuais.


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