Jornalista bielorrussa sofre ameaça de morte

Redação Portal IMPRENSA | 26/07/2018 15:23

A  Ong Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou comunicado nesta quinta-feira (26) manifestando a sua preocupação com as ameaças de morte recebidas pela jornalista bielorrussa Natallya Radzina, que mora na Polônia. As informações são do site da Radio Free Europe.

Crédito:Reprodução Radio Free Europe


Em seu comunicado, a Organização não-Governamental pediu às autoridades polonesas "que tomem as medidas necessárias para protegê-la". No dia 22 de julho, a jornalista uma mensagem com ofensas e ameaças. 


"Radzina, sua vagabunda, nós estamos atrás de você. Comece a borrar as calças, lixo nazista. Você tem apenas alguns dias, cadela da quinta coluna. Já estamos aqui. Olhe ao seu redor", dizia o texto.


Radzina é editora do Charter97, site de notícias que critica o regime autoritário do presidente bielorrusso Alyaksandr Lukashenka.


Segundo a reportagem da Radio Free Europe, Radzina disse à RSF que está certa de que as ameaças vieram da Bielorrússia, onde seu site foi bloqueado desde janeiro, mas ainda pode ser acessado por um site espelho.


"Essas ameaças de morte contra um jornalista que vive no exílio em um país da União Europeia devem ser levadas muito a sério", disse Pauline Ades-Mevel, chefe do departamento de Balcãs da UE da RSF. "Pedimos às autoridades polonesas que as condenem publicamente, identifiquem os responsáveis e façam o que for necessário para proteger Natallya Radzina e sua equipe."


Radzina recebeu asilo político na Lituânia em 2011 e reside na Polônia desde 2012. Seu site, que produz conteúdo nas áreas de direitos humanos e causas da oposição, recebeu o nome da Carta 97 – uma declaração de 1997 que pediu a democracia na Bielorrússia e foi assinada por jornalistas, oposição política e ativistas.


O fundador da Carta 97, o jornalista Aleh Byabenin, foi encontrado enforcado em sua casa perto de Minsk em setembro de 2010.


Autoridades consideraram a morte como suicídio, mas os colegas de Byabenin disseram que não havia indicação de que ele estivesse planejando cometer suicídio e que não foi deixada uma mensagem.


Outro jornalista, Pavel Sheremet, nascido na Bielorrússia, porta-voz da organização por trás do Charter 97, foi morto em um carro-bomba na capital ucraniana, Kiev, em julho de 2016.


Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que Lukashenka, eleito pela primeira vez em 1994, reprimiu sistematicamente vozes dissidentes e manteve o poder por meio de eleições e referendos considerados não democráticos pelos governos ocidentais. 


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