Jornalista Roberto Saviano, perseguido pela máfia italiana, pode perder proteção armada

Redação Portal IMPRENSA | 22/06/2018 08:20

O jornalista e escritor Roberto Saviano, que foi ameaçado de morte pela máfia italiana depois de publicar o livro ‘Gomorra’, em 2006, denunciando a atuação de mafiosos e sua relação com as instituições do país, pode perder a sua guarda armada, garantida pelas autoridades italianas. 

Crédito:Antonio Masiello/Getty


O ministro do interior italiano, Matteo Salvini, que também é vice-primeiro-ministro e líder do partido de extrema-direita Liga, afirmou numa entrevista à televisão pública RAI3, nesta quinta-feira (21), que "as instituições competentes vão avaliar" se Saviano ainda precisa de segurança, "uma vez que passa muito tempo no estrangeiro". A informação foi veiculada pela CNN, The Guardian, Le HuffPost, Expresso e outros sites.


"Vão ser as instituições competentes que vão avaliar se corre algum risco, já que me parece que passa muito tempo no estrangeiro. Veremos como gasta o dinheiro dos italianos, mas esse é o último dos meus problemas", disse Salvini. A declaração provocou protestos imediatos por parte da oposição.

Desde que "Gomorra" foi publicado, o jornalista tem estado sob guarda armada constante, vivendo em delegacias de polícia e hotéis anônimos.


Saviano, que passa muito tempo em Nova Iorque, tem sido um grande crítico de Salvini pela dura postura anti-imigração e xenofóbica e a recusa de entrada num porto italiano do navio 'Aquarius', que tinha 630 imigrantes, que acabaram por desembarcar em Espanha.


Nesta semana, o jornalista também criticou Salvini depois que ele anunciou a realização de um censo da população cigana da Itália.


Em resposta à declaração de Salvini, Saviano escreveu no Twitter: "A Itália é o país ocidental com mais jornalistas sob escolta policial porque tem as organizações criminosas mais poderosas do mundo, mas Matteo Salvini, ministro do Interior, em vez de lutar contra a máfia, ameaça silenciar aqueles que relatam sobre isso ".


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