Você sabe o que é social media? Já pensou em atuar na área?

Há vagas, segundo especialistas, e podem ser uma alternativa profissional para jornalistas. Vale a pena conferir

Marcia Rodrigues | 11/06/2018 10:19

Redações mais enxutas e o fechamento de algumas publicações, principalmente revistas, estão fazendo alguns jornalistas buscarem áreas alternativas para trabalhar. O Portal IMPRENSA inicia hoje uma série de matérias sobre áreas que estão despontando como opção de atuação para jornalistas.

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Almir Rizzatto é especialista em marketing digital e instrutor de cursos para jornalistas


Nossa primeira dica será sobre o social media, um profissional que tem, entre as suas habilidades, conhecimento em marketing digital. Ele é o responsável por cuidar da exposição de uma empresa ou marca nas redes sociais.


"Estamos num processo de reinvenção da nossa profissão – assim como vem ocorrendo com várias outras – e basta ver uma vaga de emprego para enxergar isso claramente, principalmente pelas habilidades hoje exigidas. Apesar de algumas portas terem se fechado, muitas outras estão se abrindo. E o jornalista (atualizado e capacitado) pode ser o maior beneficiado com esta nova era da comunicação”, diz Almir Rizzatto, jornalista, sócio fundador da RZT Comunicação, especialista em marketing digital e instrutor de cursos para jornalistas.


Rizzatto, que trabalhou na Folha.com e no Terra, decidiu investir na área de marketing digital em 2006, porque viu que o assunto era novidade no Brasil, apesar de já estar sendo bastante utilizado em outros países. Desde então, ele se dedica ao próprio negócio. “Apesar de ocupar o cargo de editor, dos benefícios e do bom salário para um jovem de 26 anos, pedi demissão. Eu estava convicto do que queria: montar minha própria empresa, virar um empreendedor. E, claro, sonhava em ter depois de anos todos os finais de semana e feriados livres. Então fundei minha empresa.”


Para o especialista, todo jornalista, em algum momento, atuará com marketing digital, seja na produção de conteúdo ou na atuação em mídias sociais. “Hoje mesmo quem trabalha em redações, por exemplo, normalmente precisa ter o mínimo de conhecimento de redes sociais e SEO, até em virtude do acúmulo de funções. Muitos jornalistas encaram o marketing digital como um vilão, mas ele deve ser visto como um aliado."


No caso do social media, sua atuação é direcionada às mídias sociais, e isso inclui redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, LinkedIn...) e YouTube. Ele é responsável pelo planejamento, pauta, criação de conteúdo, elaboração de anúncios, análise das métricas, monitoramento e interação com usuários.


Para Rizzatto, o jornalista resiste um pouco em produzir textos mais marqueteiros porque não “é da nossa raiz”. “Não fomos formados para isso, não foi o que aprendemos na universidade. Entretanto, por mais que haja resistência, o jornalista vê que é preciso mudar essa mentalidade. Vejo isso claramente entre os alunos dos cursos que ministro. Inclusive, quando começo o curso, digo que não falaremos de jornalismo, mas sim de marketing. E isso não deve ser visto de forma negativa, pelo contrário. É uma nova capacitação para nossa carreira."

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Ricardo Ballarine acredita que o jornalista precisa se desarmar do preconceito e encarar as mudanças no mercado


Outro especialista, Ricardo Ballarine, assistente de desenvolvimento jornalístico do site Brio, concorda com Rizzatto sobre o desconforto do jornalista em mudar o tom do seu texto. ”No marketing o texto é mais informal, fala em primeira pessoa, se direciona ao leitor de forma mais solta, com piadas, memes. O diálogo se aproxima de uma conversa e é uma linguagem diferente da que estamos acostumados”.


Ballrine, que trabalhou no Grupo Folha, na Sempre Editora e na Algar Mídia, é um entusiasta do jornalismo inovador e que explora todas as possibilidades narrativas. Para ele, o jornalista precisa se desarmar do preconceito e encarar as mudanças no mercado. "É um caminho possível e que pode servir como trampolim para outras atividades."


Remuneração 


Há diversas variáveis, como porte da empresa e volume de trabalho diário, para calcular a remuneração de um social media. A Associação Paulista de Agentes Digitais (Abradi-SP) e o Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de São Paulo (Sinapro-SP), no “Guia de Valores Referenciais para Serviços Digitais - Versão 2017” dividem o social media em três categorias, com as seguintes faixas:

  • Gestão de canais e conteúdo: R$ 13 mil por mês

  • Gestão de monitoramento: R$ 8.112 por mês

  • Gestão de relacionamento: R$ 11.440 por mês

Vagas


Para quem está interessado em iniciar um trabalho na área, Rizzatto dá uma informação animadora: há mercado de trabalho. “Hoje, qualquer empresa já nasce precisando de pessoas ou empresas que prestem este tipo de serviço. Até porque, sem uma forte presença digital, qualquer empresa tende a morrer rapidamente.”


Nessa área, o jornalista pode tanto oferecer seus serviços para agências quanto para profissionais liberais e empresas de qualquer porte.


“O profissional pode pensar em criar uma agência de conteúdo ou atender a pequenos clientes diretamente, que não possuem uma agência de marketing, por exemplo. Além disso, é possível fazer um trabalho de social media para vender seus serviços e começar o seu negócio”, ressalta Ballarine.


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