A imprensa é uma conquista da sociedade

Ana Paula Oliveira | 07/05/2018 08:20
No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal, Juliano Costa Couto, abriu o 10º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, na tarde da última quinta-feira (3), em Brasília, ressaltando que, décadas atrás, as notícias eram lidas, diretamente pelos veículos que as produziam e que chegavam até o leitor. Atualmente, segundo ele, as redes sociais são potencializadoras da comunicação. E, com isso, “a imprensa livre, libertária e ampla, séria e compromissada com o conteúdo verdadeiro”, tem um papel, ainda mais importante no controle da democracia. 
Crédito:Renato Alves / IMPRENSA Editorial


No seu discurso, Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta, lembrou que, após 30 anos de liberdade de expressão, ainda há intolerância em relação à aceitação das diferenças. “Quando um profissional de imprensa é atacado não é a imprensa a atacada, é a sociedade. Devemos nos unir e comemorar a liberdade e relembrar que ainda precisamos avançar”, disse. 

Sinval Leão, diretor e editor da Revista e Portal IMPRENSA, destacou que desde que foi criado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pela ONU, em 1993, nunca os profissionais da notícia precisaram tanto de segurança como agora. “Nos primeiros quatro meses de 2018, foi um festival de cala bocas da imprensa. Jornalistas foram abatidos à bala no exercício da profissão”, afirmou. Leão citou o sequestro e morte de alguns profissionais, entre os casos, o de 30 de abril, no Afeganistão, em que nove jornalistas foram implodidos por noticiar atentado em Cabul. “O assassinato é o principal cala boca”. O diretor também comentou sobre o surgimento das mídias sociais e lembrou que a falsa informação sempre existiu e que agora virou sistêmica. “A busca da verdade depende da boa reportagem”, defendeu. 

Coordenador de Comunicação e Informação da Unesco no Brasil, Adauto Soares adiantou que a instituição irá promover uma Conferência Internacional, em Gana, na cidade de Accra, na África, com direito a um prêmio mundial, que levará o nome do jornalista colombiano Guillermo Cano, que foi assassinado no exercício da profissão, em 1986, com a morte ainda impune. “A nossa liberdade depende da liberdade de imprensa”, ressaltou. 
  
Não há dúvidas de que a imprensa é uma conquista da sociedade brasileira. E para o presidente da ABERT, Paulo Tonet Camargo, o jornalista nunca foi tão indispensável no país, pelas opiniões com responsabilidade, a boa apuração dos fatos e a busca pela verdade. “Só se pode fazer imprensa livre com jornalismo e jornalismo com jornalistas”, declarou, acrescentando que a profissão é fundamental para o alicerce da democracia brasileira. 

“Neste quadro de intolerância, de incompreensão com o exercício do jornalismo... quando se atinge um jornalista, quando se agride, se intimida, na verdade está se atingindo o direito das pessoas de serem informadas”, comentou Ricardo Pedreira, diretor executivo da ANJ. 

Promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, o 10º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia conta com o patrocínio da ABERT, e o apoio da OAB-DF. Além do apoio de mídia do Maxpress e apoio institucional da ABRAJI, ANER, ANJ e do Instituto Palavra Aberta.

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