“Não existe veículo de comunicação sem tecnologia”, diz Cristina De Luca no mídia.JOR 4.0

Denilson Oliveira | 11/04/2018 11:30
O painel de encerramento do mídia.JOR 4.0, promovido pela Revista e Portal IMPRENSA na última sexta-feira, dia 6, em São Paulo, contou com a moderação de Renato Cruz, coordenador de conteúdo do evento e editor do inova.jor.
Crédito: Paulo Toledo
Para debater o "Jornalismo exponencial na prática: as questões acadêmicas, técnicas e jurídicas", IMPRENSA convidou Cristina De Luca, editor-at-large na IT Mídia, Fábio Botelho Josgrilberg, diretor nacional de Ensino Superior da Educação Metodista e reitor da Universidade Metodista de Piracicaba, Leão Serva, professor de Ética Jornalística da ESPM-SP e colunista da Folha de S.Paulo, e Pollyana Ferrari, jornalista e professora da graduação em Jornalismo e da pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD), da PUC-SP.

Leão Serva abriu a discussão falando sobre como a mídia impressa está se preparando para a revolução 4.0. “Os jornais ainda não entenderam a quarta revolução industrial. Há um problema estrutural na mídia do mundo e do Brasil também. Diante disso, o Washington Post percebeu que não tinha estrutura para aplicar novas mudanças tecnológicas. Foi aí que se abriu para investidores, para fazer essa transformação. Em nosso país, as famílias que comandam os jornais ainda não entenderam que precisam de investidores para fazer a mesma coisa”, disse.

Pollyana Ferrari acrescentou que no início dos anos 2000 houve uma euforia com o advento da internet, mas a mídia não acompanhou o desenvolvimento desse setor. “As redações não se modernizaram por conta da ganância dessas famílias que achavam que entendiam do negócio. Hoje a internet serve de fonte e informação para o jornal do dia seguinte. O jornalista do impresso não aprendeu a pensar com a mesma cabeça daquele que trabalha na internet”. 

Para Cristina De Luca, responsável pela criação e implantação do Globo Online e da Agência O Globo, a indústria da mídia passa por um problema sério desde o início da internet. "A indústria da web 2.0 acabou com os classificados, que eram a alma do jornal, quando o Google lançou o AdWords”. Ela também lembrou a falta de inovação por parte dos veículos impressos. “Como investir em bot quando a direção do jornal pergunta: quem já fez? Se você falar que ainda ninguém fez, esqueça".
Crédito: Paulo Toledo
A jornalista também citou o Washington Post como exemplo de inovação nesse mercado. “Eles colocaram o The New York Times no chinelo. O jornal é considerado hoje a oitava empresa mais inovadora do mundo. Há dois anos o Washington Post dá lucro. É preciso estimular e buscar oportunidades. Não existe veículo de comunicação sem tecnologia”. 

Fábio Botelho Josgrilberg também comentou sobre como as faculdades de comunicação estão se adaptando a essas transformações. “O que estamos fazendo nas instituições educacionais é estimular a inovação e a criação de espaços inventivos. Faltam startups de notícias em nosso país”.

O mídia.JOR 4.0 conta com o patrocínio dos Correios e o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, além da parceria com o curso de jornalismo da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo. O apoio de mídia de Abril e Propmark, e o apoio institucional da ABERT, ABI, ABRADi, ABRAJI, ANER, ANJ e FENAJ. 

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