Jornal Diário de S.Paulo tem pedido de falência decretado pela Justiça

Renato Brandão/Redação Portal IMPRENSA | 24/01/2018 12:00

A Justiça de São Paulo decretou a falência do jornal Diário de S.Paulo, assim como do Grupo Cereja Comunicação Digital, que controlava a publicação desde 2013, e das editoras Fontana e Minuano. O grupo não foi localizado por IMPRENSA para falar sobre o assunto.


Crédito:Divulgação
20180124 DIARIO DE S.PAULO


No entender do juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências de São Paulo, havia confusão societária, gerencial e laboral entre as três empresas. “O Diário de S.Paulo era sediado no mesmo local em que a falida Minuano e a Cereja. A confusão sequer permitia que o preposto do Diário de S.Paulo, Fernando Souza Matos, soubesse de quem era a propriedade do bem.”


“Do exposto, as pessoas jurídicas possuem unidade patrimonial, de gestão, laboral e societária, o que demonstra que não apenas integravam um único grupo, mas agiam sem qualquer consideração às suas personalidades jurídicas como se fossem uma só e em detrimento dos credores”, acrescentou o magistrado.


A edição impressa do Diário de S.Paulo não circulou nesta quarta-feira (24), bem como o site oficial do jornal encontra-se fora do ar, embora o juiz tenha expressado na sentença que a publicação poderia manter sua atividade provisoriamente. “Em consideração à preservação da empresa, a maximização do valor dos ativos e a maior satisfação dos credores, a atividade empresarial do Diário de S.Paulo poderá ser provisoriamente mantida. O jornal, em operação, poderá ser alienado pela Massa Falida em situação muito melhor do que se sua atividade for paralisada, o que garantirá os postos de trabalho e de todos e os interesses dos credores e da sociedade.”


Ao portal IMPRENSA, o editor do caderno de esportes Plinio Rocha revelou mais detalhes sobre como a redação recebeu a notícia de fechamento do jornal. "Não foi uma coisa para todos ao mesmo tempo. Os respectivos chefes foram ligando para os editores ou repórteres. Foi assim comigo e meus repórteres, pelo menos." Sobre o futuro, o jornalista afirmou que, por ora, os profissionais estão aguardando o que será decidido pelo proprietário do Diário de S.Paulo, mas que acreditam na retomada do jornal. "Estamos esperando. Ainda não sabemos como vai ficar, se vai voltar ou não. Mas acredito que sim, que voltará. Não sei por quanto tempo nem em que circunstâncias, mas volta."


Já o colunista Fernando Oliveira, mais conhecido também como Fefito, lamentou em seu perfil pessoal a decretação de falência do Diário de S.Paulo. “Triste fim para um jornal no qual vivi importante parte da minha vida. Lá aprendi MUITO sobre reportagem, edição, colunismo. Lá tive até indicação ao prêmio Esso! Foi uma de minhas muitas escolas. Sempre terei muito carinho por essa história e por tudo o que vivi naquela redação, onde conheci grandes jornalistas e grandes pessoas. Minha solidariedade aos companheiros.”


Nascido como uma publicação abolicionista e republicana em 1884, quando o Brasil era um país com regime político monárquico, o jornal era chamado de Diário Popular até 2001, quando foi rebatizado para Diário de S. Paulo após sua aquisição pelo Grupo Globo. Oito anos depois, foi comprado pelo Grupo Traffic, que finalmente o vendou para a Cereja Comunicação Digital em 2013.


Em crise financeira, o jornal passou por duas greves de seus profissionais nos últimos dois anos, a última delas em outubro de 2017.


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