IMPRENSA relembra trajetória de Carlos Heitor Cony; leia entrevista exclusiva de 2004

Redação Portal IMPRENSA | 12/01/2018 18:00

Carlos Heitor Cony despediu-se deste mundo na última semana, deixando um respeitado legado para a literatura e o jornalismo do Brasil. Nas próximas linhas, IMPRENSA relembra um pouco da trajetória de um dos mais importantes cronistas e escritores brasileiros do século XX.


Crédito: Revista IMPRENSA


Filho de Julieta de Moraes e de Ernesto Cony Filho, Carlos Heitor Cony nasceu em 14 de março de 1926, no bairro de Lins de Vasconcelos, no Rio de Janeiro. Com dificuldades de dicção durante a infância, teve de ser alfabetizado em casa.


Por vontade própria, ingressou no Seminário Arquidiocese de São José, onde permaneceu por sete anos, tendo desistido da carreira pouco antes de receber a tonsura que o levaria ao curso de Teologia. A experiência como seminarista, no entanto, foi fundamental para a formação intelectual do futuro escritor e jornalista, já que teve acesso a latim, português, grego, francês, italiano, música, matemática, filosofia, psicologia, ética e cosmologia.


Cony entrou no curso de letras neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ), mas o abandonou antes de sua conclusão.


Apaixonado por literatura, fez sua estreia nesse universo com o romance "O Ventre", lançado em 1958, o primeiro de 16 títulos desse gênero ao longo de uma bem-sucedida carreira, que lhe renderia por três vezes o Prêmio Jabuti - com os livros "Quase Memória" (1995), "A Casa do Poeta Trágico" (1997) e "Romance Sem Palavras" (1999). Além de romances, o escritor deixou um vasto conjunto de títulos biográficos, crônicas, contos e novelas, além de adaptações de clássicos nacionais e estrangeiros. Com esta bagagem, assumiu a cadeira número 3 da Academia Brasileira de Letras em 2000.


Já sua trajetória como jornalismo iniciou-se na redação do Jornal do Brasil, em 1952, onde depois se consolidaria na seção de artes e literatura do jornal. Trabalhou para o Correio da Manhã em 1962 e 1965, onde construiu sua notoriedade como colunista de humor ácido. A convite de Adolpho Bloch, ingressou em 1967 na equipe de jornalismo do Grupo Manchete. Ao longo de quase três décadas, atuou como diretor das revistas "Ele & Ela", "Desfile" e "Fatos & Fotos", além de assinar uma coluna para a revista "Manchete". Em 1993, a convite de Jânio de Freitas, assumiu a coluna carioca na segunda página da Folha de S.Paulo, posto que manteve ativo até a sua morte.


Foi preso seis vezes e também enquadrado pela Lei de Segurança Nacional ao longo da ditadura militar, tendo chegado a se exilar por um breve período na Europa e em Cuba.


Diagnosticado com um câncer linfático em 2001, Cony foi perdendo a mobilidade nos braços e nas pernas devido ao tratamento com quimioterapia. Um tombo durante a Feira de Frankfurt, que resultou em um coágulo no cérebro, agravou ainda mais os problemas de saúde do escritor.


Internado no Hospital Samaritano, morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos na primeira sexta-feira de 2018, pouco menos de dois meses de completar 92 anos. Deixa a viúva Beatriz Lajta, as filhas Regina Celi e Maria Verônica, e o filho André Heitor.


A seguir, acompanhe uma entrevista exclusiva feita pela revista IMPRENSA:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6