Ler, ver e beber: Obra sobre a saga da Coluna Prestes é a sugestão do jornalista Yelmo Papa

Redação Portal IMPRENSA | 25/07/2016 17:30


Sugestão da segunda: "As Noites das Grandes Fogueiras: Uma História da Coluna Prestes"

Crédito:arquivo pessoal
"Se eu dissesse que o cangaceiro Lampião, o padre Cícero e o líder comunista Luís Carlos Prestes já estiveram no 'mesmo barco', vocês acreditariam em mim?

Essa é apenas uma das passagens de um dos melhores livros que já li. 'A Noite das Grandes Fogueiras”, do colega Domingos Meirelles, é um relato de momento histórico dos mais interessantes. Não é recente a obra (1995), mas acho que vale a dica, pois sei que tem gente que não a conhece. Ela traça um paralelo da Coluna Prestes, incrível façanha, epopeia ou como queiram chamar, comandada por um idealista (Prestes), que muito admiro, e os acontecimentos do país na segunda metade da década de 1920.

Domingos nos faz viajar por aquela época de revoluções, insatisfação com o governo federal e mudanças nos costumes. Enquanto o movimento tenentista conseguia adeptos em várias partes do país, os barões da política do 'café com leite' se articulavam nos gabinetes para se manter no poder. 

A história começa com oficiais da Força Pública de São Paulo (o que seria a PM hoje) pretendendo depor o presidente Arthur Bernardes em 1924. O motim teve relativo sucesso e chegou a dominar São Paulo. Mas as tropas federais bombardearam intensamente a capital paulista destruindo grande parte da cidade (foi o primeiro bombardeio aéreo da nossa história). Com isso os revolucionários deixaram a capital bandeirante rumo ao interior.

Em quartéis de todo o país a notícia do motim se espalhou. Ao mesmo tempo, no Rio Grande do Sul começava uma tentativa de revolução a qual os paulistas resolveram apoiar. Essas tropas estavam sempre em desvantagem frente ao poderio do governo central, recuavam, organizavam-se, mas jamais se renderam. Por isso foi batizada como a Invencível Coluna Prestes (36 mil quilômetros de caminhada e nenhuma derrota).  

O retrato que o autor pinta dessas questões é brilhante e nos faz refletir. Há momentos que lembram um filme de ação, pois, mesmo sabendo o desfecho da Coluna, queremos saber o que aconteceu naquele determinado episódio. Quantos mortos no combate? Algum líder tombou? Dali para onde foram? O livro é do tipo 'precisa gostar de leitura', pois tem nada menos do que 700 páginas. Eu sou 'das antigas' e prefiro o cheiro do papel, o barulho das folhas passando nos dedos, mas reconheço que seria mais portátil tê-lo como e-book".  

Yelmo Papa, jornalista, assessor de imprensa na Prefeitura de Bom Jesus do Itabapoana (RJ)

Ler, ver e beber
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