“Empreendedorismo precisa entrar no currículo do jornalismo”, diz mestre da ESPM

Elemara Duarte e Luciano Fernandes, maratonistas IMPRENSA | 07/07/2016 16:45


Bom texto, faro para a notícia, boas fontes  e... ser empreendedor! Este já é o perfil ideal do jornalista dos novos tempos. E este empreendedorismo significa enxergar oportunidades em meio ao modelo em crise da grande imprensa. Assim, o comodismo de uma carreira longa em um veículo tradicional de comunicação vira coisa do passado.

No Rio de Janeiro, nas aulas da professora Adriana Barsotti o tema já é obrigatório. Porém, ela diz que a maioria dos alunos que chegam à faculdade ainda quer trabalhar em uma grande empresa de comunicação, mas “eles (os alunos) não assistem TV aberta, não ouvem rádio e não leem jornal”, diz. “O que é um paradoxo. O empreendedorismo vai precisar entrar no currículo do jornalismo”, prevê.

Além de professora de jornalismo no Ibmec-RJ e na ESPM Rio, Adriana participa do Projeto #Colabora – site que é exemplo desse perfil empreendedor na profissão. O site criado em novembro de 2015, pelo jornalista Agostinho Vieira, já conta com mais de 140 colaboradores de conteúdo. Por cada artigo, reportagem ou websérie, eles recebem a partir R$ 300.

O site é patrocinado por uma multinacional de bebidas, mas pela cartilha da sustentabilidade empreendedora isso não é suficiente. A administração do site procura vender mais cotas de patrocínio, buscar recursos em crowdfunding, doações de ONGs, entre outras “combinações de receitas”. Mesmo com o patrocínio privado, a independência jornalística do conteúdo, garante ela, é assegurada.

Este é um dos exemplos de como o novo jornalista terá que trabalhar, ou seja, apostando em várias frentes. “É preciso estimular os alunos a serem empreendedores como nos EUA e no Reino Unido, onde isso já é uma realidade”, conclui Adriana Barsotti.


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