Ler, ver e beber: História do jogador Garrincha é a sugestão de Gabriel Failde

Redação Portal IMPRENSA | 20/06/2016 15:30


Dica da segunda: “Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha” 

Crédito:arquivo pessoal
"'Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha' é uma biografia obrigatória para os apaixonados por futebol e amantes de literatura. O livro, escrito por Ruy Castro, conta a história fascinante e ao mesmo tempo dramática de um gênio que sabia muito bem o que fazer dentro dos gramados, mas que se perdeu drasticamente fora deles. 

Manoel Francisco dos Santos saiu do município de Pau Grande (RJ) para encantar o mundo com seus dribles desconcertantes. Desacreditado no início da carreira por ter as pernas tortas, Garrincha provou que uma pequena deficiência física não seria um obstáculo para se tornar um dos maiores jogadores do mundo.

Com um futebol alegre, ele esbanjava habilidade e ousadia. Para o ponta-direita, o drible era mais importante do que marcar um gol. Por diversas vezes, ao passar pelos defensores e chegar na cara do goleiro, o camisa 7 voltava para driblar mais e mais adversários, como se tudo não passasse de uma brincadeira, seguida por um simples passe de dança. 

Apesar de ser magnífico com a bola nos pés, Infelizmente, sua vida pessoal sempre esteve envolvida em grandes polêmicas. Acidentes de carro, tentativas de suicídio e um casamento que foi do céu ao inferno com a estrela Elza Soares fizeram com que o craque do Botafogo virasse manchete negativa nos jornais. 

Para afastar seus fantasmas, o herói das Copas de 58 e 62 fez do álcool seu fiel companheiro e deu início a um triste caminho sem volta. Graças aos problemas, às bebidas e a uma artrose no joelho, seu futebol genial foi ficando de lado. Com o passar do tempo, o anjo das pernas tortas perdeu o gingado e a vontade de jogar. Pior do que isso, perdeu Elza, a mulher que, mesmo contra tudo e contra todos, sempre esteve ao seu lado.

Garrincha foi enfim vencido pelo alcoolismo em 20/01/1983, aos 49 anos idade, quando nos deixou após diversas internações gravíssimas. Com uma carreira brilhante e a impressionante marca de nunca ter perdido uma partida sequer jogando ao lado de Pelé na Seleção Brasileira, a estrela de um dos maiores pontas da história do futebol se apagou tão rápido quanto brilhou. 

'Que Garrincha era um gênio intuitivo do futebol, não há dúvida. Mas não tinha nada do ingênuo, quase débil, com que algumas histórias o pintavam. Ao contrário, era até muito esperto a respeito do que o interessava - mulheres e birita, a princípio nesta ordem -, e não havia concentração que o prendesse. Nos seus primeiros dez anos de carreira, 1953-1962, Garrincha conseguiu conciliar tudo isso com o futebol. Dali em diante, a vida lhe apresentou a conta'”, Ruy Castro, em artigo publicado na Folha de S.Paulo, 30 anos após a morte de Garrincha". Gabriel Failde, assessor de imprensa da Record

Crédito:reprodução
Sobre o livro:
Título:Estrela solitária - Um brasileiro chamado Garrincha 
Autor: Ruy Castro
Editora: Companhia Das Letras
Ano de lançamento: 1995
Páginas: 536
Prêmios: Jabuti 1996 de Melhor Ensaio e Biografia

Ler, ver e beber
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