Para Cristiana Lôbo, crise dá exposição maior aos jornalistas que acompanham a política

Vanessa Gonçalves | 05/04/2016 16:30
Usar saias e vivenciar o dia a dia do centro do poder há 37 anos e ser reconhecida por isso é algo para poucos. Agora, imagine se, no começo de tudo, ainda foi preciso driblar uma ditadura e abrir caminho para outras jornalistas na política? Pois essa é a história de Cristiana Lôbo.

Crédito:Arquivo pessoal
Cristiana Lôbo, vencedora da categoria “Comentarista ou Colunista de TV”

Vencedora da categoria “Comentarista ou Colunista de TV” da 11ª edição do Troféu Mulher IMPRENSA, a jornalista angariou 28% dos mais de 81 mil votos da premiação. Para ela, o resultado nada mais é do que reflexo de sua exposição na TV devido ao momento conturbado da política nacional. “Acho que a crise do país acaba dando uma exposição maior aos jornalistas que acompanham a política. E na GloboNews, que tem o slogan ‘Nunca Desliga’, isso acontece de forma ainda mais intensa”, diz.

Cristiana está costumada aos vendavais de notícias que assolam o Planalto Central. Nesses quase 40 anos de carreira, ela que já passou por veículos Folha de Goiás, O Globo, O Estado de S. Paulo, Jornal de Brasília, desde 1998 transformou-se em porta-voz da GloboNews sobre as informações que rodeiam o centro do poder. “São muitas notícias e reviravoltas num dia só. E, como estou em Brasília, tento explicar o que está acontecendo em nosso país. Isso às vezes começa bem cedo e só termina no fim do dia”.

Para uma das “Meninas do Jô”, grupo de jornalistas que comentam política no talk show da Globo, ainda é importante que exista um prêmio específico para reconhecer o trabalho da mulher. Ela lembra que, no passado, o jornalismo foi uma profissão masculina, na qual praticamente não existia mulheres.

Porém, nesses 37 anos de carreira, pôde observar as mulheres ganhando espaço nas redações, chegando a superar o número de homens, inclusive em áreas como jornalismo político, econômico, esporte e nos cargos de chefia, antigos redutos masculinos. Dessa forma, Cristiana vê o Troféu Mulher IMPRENSA como “mais uma forma de reconhecer o desempenho das mulheres que precisaram trabalhar muito para chegar lá”.