Por atraso de salários, jornalistas do Fato Online entram em greve; veículo pode fechar

Vanessa Gonçalves e Alana Rodrigues | 01/03/2016 12:00

Lançado há pouco mais de um ano, o portal Fato Online, presidido por Silvio Assis, deve passar por uma reestruturação. IMPRENSA apurou que 116 funcionários do veículo, sendo 75 jornalistas, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, pois estão há meses sem receber salários.


Crédito:Reprodução
Veículo deve fechar após greve dos funcionários

Desde o fim de janeiro, os jornalistas aprovaram em assembleia uma paralisação por tempo determinado, pois estavam sem receber o salário de dezembro e o décimo-terceiro. Como a situação não foi regularizada, eles decidiram entrar em greve.


Diego Amorim, um dos repórteres do portal, divulgou em seu perfil no Twitter que "com o fim de fevereiro, são quatro salários atrasados. É mais um duro golpe no mercado". Segundo ele, o veículo reuniu um time experiente de jornalistas que "abraçaram um projeto ousado".


"Fomos um portal valente: até o fim, sem salários, a equipe deu furos e ajudou a trazer um pouco mais de análise ao caótico mundo virtual:, afirmou Amorim. Ele ainda informou que via sindicato os trabalhadores acionarão a Justiça.


Renato Alves, da agência de imagens OBritoNews, que prestava serviços para o Fato Online, também usou o microblog para comentar a situação dos colegas. "Funcionários descobriram que não há nada no nome dos donos, que admitiram ter $ no exterior". Ele ainda acrescentou, informando que "os donos chegaram a propor aos funcionários que assumissem o negócio, ou seja, as dívidas".


À IMPRENSA, o coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Wanderley Possebon, informou que hoje haverá uma reunião com o comando de greve dos funcionários. Na última segunda-feira (29/2), houve uma assembleia em que foi aprovada, por unanimidade, a paralisação.

"As propostas são ridículas e só contribuem para aumentar a indignação dos funcionários. O Sindicato lamenta o fechamento de postos em meio a esse cenário de crise. O que está acontecendo no Fato Online é um reflexo do jornalismo brasileiro hoje. É preocupante", disse.

Segundo o coordenador do comitê de negociações, Lúcio Vaz, editor de Política do portal, os patrões fizeram duas propostas. Na primeira, para os funcionários que ganham dez mil ou mais, todo o passivo, que contempla quatro salários, seria transformado em cotas na empresa e pro labore de dois terços do salário. Aqueles que ganham menos de dez mil, o pagamento dos quatro salários começaria apenas em 20 de março.

Já na segunda, os funcionários que ganham dez mil ou mais e que não querem se tornar sócios, receberiam em dez parcelas, também a partir de 20 de março. "Eles prometeram pagar onze vezes e não cumpriram", lamenta Vaz.

Durante a assembleia, os funcionários pediram propostas para adiantar o pagamento ainda nesta semana. Os patrões avaliam a possibilidade de conseguir cinco mil para cada trabalhador. "Eles foram desrespeitosos com os profissionais e traiçoeiros. Vão ter de contratar outro corpo de jornalistas, o que será difícil na atual situação", diz o editor.

De acordo com ele, a empresa cortou o e-mail dos trabalhadores, dificultando a comunicação, e também tirou a senha dos editores para o acesso ao site. Vaz vê a medida como uma forma para evitar a comprovação de horas extras, o que seria em vão, pois os funcionários já recolheram os dados que precisam para acionar a justiça e reivindicar seus direitos.


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