Fórum debate o poder da web na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis

Jéssica Oliveira | 09/11/2015 15:15



A informação é a melhor forma de combate ao HIV. Para falar com o público mais suscetível à contaminação pelo vírus HIV, jovens de 15 a 24 anos, a revista e o Portal IMPRENSA, em parceria com a campanha #partiuteste e o UNAIDS, promovem a 3ª edição do Fórum AIDS e o Brasil. Transmitido ao vivo nesta segunda-feira (9/11), o evento aborda temas como os primeiros relacionamentos e sexualidade, questionamentos de como o jovem lida com a informação sobre a doença, as causas e consequências do aumento da infecção por HIV no país. 


O painel “O poder da internet na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis” abriu o evento. Participaram do debate a psiquiatra, psicoterapeuta e terapeuta sexual Carmita Abdo, fundadora e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; e os vloglers Danilo Leonardi, editor-chefe do site Cabine literária e criador do Canal Danilo Leonardi no YouTube, e Nelson Sheep, radialista, roteirista, blogueiro, editor-chefe, diretor e criador dos canais Superpride e Põe na Roda.

Crédito:Reprodução
Nelson Sheep, Danilo Leonardi, Carmita Abdo e Thaís Naldoni debateram o poder da internet na prevenção de DSTs

Os participantes destacam que a internet é um dos principais caminhos usados pelo jovem para se informar sobre o vírus, seja antes ou depois da contaminação. Sheep conta que o Põe na Roda recebe uma série de dúvidas e questões sobre isso. “A internet é a principal arma desse jovem. Dificilmente ele vai procurar um amigo, um familiar, ele vai procurar o Google”, explica. Para ele, o grande desafio hoje é sugerir que o jovem faça o teste. “Quanto mais cedo a pessoa diagnosticar o HIV, ela consegue ter uma sobrevida”, diz. 


A livre-docente e professora associada do departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Carmita lembra uma série de motivos que deixa o jovem menos preocupado com a doença e o leva a não se cuidar como deveria. 


“A ideia de certo controle da doença e de que isso nunca vai acontecer comigo são conceitos que acabam levando o jovem a não se cuidar, apesar das informações estarem cada vez mais disponíveis. A busca é para depois que correu o risco. As pessoas vão buscar informação ou socorro para saber se está livre disso”, diz.


Sheep concorda com a pesquisadora e acredita que parte disse seja pela ausência do medo da doença. “Existe a consciência de que precisa usar o preservativo, mas o jovem perdeu o medo da AIDS, talvez porque não viu as pessoas que morreram em outras gerações. Quando ele está com tesão, não pensa nisso. No caso dos heterossexuais, a AIDS vem em segundo lugar, primeiro medo é a gravidez”


UMA FORTE BARREIRA

A pesquisadora critica o preconceito que impede ou inibe os jovens de procurar informações e fazer o teste e alerta para os perigos dessa atitude. Segundo ela, o preconceito não faz sentido, até porque outros grupos estão em risco hoje, como os idosos, que retomaram a vida sexual. “É um grupo que precisa prestar atenção. E sabemos que apenas 30% da população geral, se muito, faz uso do preservativo”, diz.


O youtuber Leonardi começou a falar do tema quando foi fazer um teste em Guarulhos (SP). E chama atenção para a importância do contato entre espectadores e blogueiros/vlogueiros, o que facilita o diálogo com o jovem.


“A voz que diz ‘use camisinha’, ‘faça o teste’, ainda é muito parecida com a da mãe que diz ‘leve a blusa’. Parece um conselho como os outros. Nesse contrato de amizade com blogueiros, vlogueiros é mais fácil, porque são pessoas que vieram atrás do meu conteúdo”, explica.


Membro do Consultation of International Society for Sexual Medicine, Carmita pontua ainda que as mulheres ainda são as que menos se cuidam desde o início da epidemia. Um dos motivos é que ela costuma deixar a função da prevenção para o homem. "Além disso, a camisinha feminina é muito pouco conhecida. Lamento termos uma epidemia numa época que a liberdade sexual teria dado mais facilidade para falar sobre e evitar isso”, comenta.


Outro motivo apontado como um dos agravantes para a mulher no país é o estigma e as críticas que ela recebe caso tenha preservativos na bolsa ou tome a iniciativa de cuidar de sua vida sexual. “O Brasil é um país muito machista”, resume Sheep. Apesar de todas as informações disponíveis, do nível de consciência sobre o vírus e da luta para ampliar as duas coisas, os participantes acreditam que ainda há outro desafio a ser vencido: o receio de passar conhecimento adiante.

  

“As pessoas têm uma sensação geral que sabem tudo sobre HIV e AIDS, mas não é assim. Ela acessa a informação, procura, tem interesse – muitas vezes por desespero – mas ela não compartilha, não passa para frente, por medo, por vergonha”, diz ele. “Quanto maior o preconceito maior a dificuldade de controlar a epidemia”, acrescenta Carmita.


O debate continua no próximo painel, a partir das 15h, com a visão de Atila Iamarino, do Science Blogs Brasil, e Pierre Freitaz, da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, sobre a eficácia das campanhas de combate à AIDS.

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Assista a íntegra do debate: