w.w.w: Jornal de Debates é relançado na internet

Pedro Venceslau/Redação Portal IMPRENSA | 19/09/2006 12:10
Paulo Markun é o editor do jornal criado originalmente em 1946 e que volta como site na internet com os mesmos princípios, um conselho de intelectuais de várias áreas, temas interessantes e atuais, além de abrir espaço para várias correntes e opiniões. 

Já está no ar o site www.jornaldedebates.com.br aberto a todos os interessados em acessar artigos antigos e atuais, sugerir temas, colaborar e opinar, sem pagar nada. Para isso basta acessar a página e fazer o cadastro, aceitando o termo de responsabilidade. Além dos temas da semana, o veículo abre o leque de assuntos voltados para Política, Economia, Cultura, Emprego, Religião, Esporte, Internet, Educação, Mundo e outros. 

O Jornal de Debates original surgiu em 28 de junho de 1946, no Rio de Janeiro, recuperando para os brasileiros, o mesmo título que os franceses tinham acompanhado desde 1789, logo após a revolução francesa, até a libertação de Paris, em 1944.

Por trás do projeto audacioso estavam Plínio Cantanhede, Mario de Britto e João Augusto de Mattos Pimenta. Sessenta anos mais tarde, o Jornal de Debates ressurge na internet como uma tribuna livre e com os mesmos princípios da primeira versão. E republicará os textos mais curiosos ou significativos das edições originais. 

O jornalista Paulo Markun é o editor do novo Jornal de Debates e coordenador do conselho editorial. Markun é jornalista profissional desde 1971, foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas. Atualmente, apresenta o programa Roda Viva da TV Cultura (segundas-feiras, dez e meia da noite), e preside o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de Santa Catarina. É autor de oito documentários e doze livros

Markun explica que o Conselho editorial do Jornal de Debates busca representar uma parcela da sociedade brasileira, com diversidade de opiniões, pontos de vista, áreas de atuação, interesses: "Sua missão é atestar a pluraridade do projeto; sugerir temas; publicar ou replicar textos e em casos duvidosos, decidir por maioria simples, o destino de artigos, comentários e charges denunciados por usuários e que não contenham impropriedades flagrantes diante dos compromissos editorais assumidos por este site. Para o Jornal de Debates, idéias são bem comum, patrimônio social" 

Conselheiros: Alberto Dines, Ana Maria Machado, Antonio Nóbrega, Audálio Dantas, Caio Túlio Costa, Carlos Diegues, Carlos Vogt, Christina Carvalho Pinto, Cícero Sandroni, Cláudio Werner Abramo, Danilo Miranda de Carvalho, Denise Stoklos, Dráusio Varela, Eduardo Gianetti da Fonseca, Fábio Penteado, Fátima Pacheco Jordão, Fernando Gasparian, Fernando Henrique Cardoso, Francisco de Oliveira, Gildo Marçal Brandão, Ivaldo Bertazzo, João Paulo dos Reis Velloso, Jorge Viana, José Sarney, Juca Kfouri, Luiz Gonzaga Belluzo, Lydia da Veiga Pereira, Maitê Proença, Márcio Chaer, Marilena Lazzarini, Marta Suplicy, Paulo Caruso, Paulo Mendes da Rocha, Pedro Malan, Renato Rabelo, Rosana Herman, Rose Marie Muraro, Sócrates, Sueli Carneiro, Tão Gomes Pinto, Tarso Genro, Tom Zé, Tony Belotto, Washington Olivetto e Zilah Abramo.

No site, há uma relação de artigos de todos os conselheiros e seus artigos. Outra boa novidade é que agora são republicados textos mais instigantes das versões originais. Os assuntos mais votados pelos internautas têm um destaque especial.

Para os interessados em colaborar, o editor avisa que o primeiro artigo, charge ou comentário passará por ele, para verificar se respeita os preceitos estabelecidos pela publicação. Posteriormente o autor poderá enviar colaborações diretamente para o site, sem passar pelo crivo do editor. Artigos ou charges poderão provocar réplicas, comentários e tréplicas, com tamanho entre mil e 20 mil caracteres. 

Um semanário que fez história

O semanário era tão revolucionário quanto o primeiro computador para a imprensa brasileira que respirava com o fim da censura do Estado Novo, mas continuava tacanha e sensacionalista. Na edição que circulou naquele final de junho de1946, a revista O Cruzeiro abria suas páginas para texto e fotos de David Nasser e Jean Manzon, a diabólica dupla de repórteres da revista.

A reportagem Barreto Pinto sem máscara mostrava o deputado do PTB, arquiinimigo dos comunistas, de fraque e cuecas. Era uma armação jornalística feita com a conivência do deputado, que pagou o preço ao se transformar no primeiro cassado por falta de decoro parlamentar. 

Enquanto isso, o Jornal de Debates chegava às bancas propondo questões mais relevantes. A publicação não dava respostas peremptórias a tais questões, mas abria espaço para todas as correntes políticas e de opinião. Raul Pilla, deputado pelo Partido Libertador do Rio Grande do Sul, defendia entusiasticamente o parlamentarismo.

O líder comunista Luiz Carlos Prestes reclamava a reforma agrária radical. O matemático e escritor Malba Tahan fuzilava a cola com muita ironia. O reitor da USP, Jorge Americano, defendia a liberdade de ensino, enquanto Venâncio Filho da Associação Brasileira de Educação minimizava a importância dessa liberdade. O udenista Aliomar Baleeiro desancava o PTB "ainda não cicatrizado da queda do cordão umbilical que o prende ao ventre obscuro da ditadura". Hermes Lima, da Esquerda Democrática procurava demonstrar a diferença entre socialistas e materialistas.


Mais informações com Ivani Cardoso (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 3814-4600