Fundadora da agência de notícias da AIDS cobra humanização da cobertura pela mídia

Camilla Demario | 11/12/2013 19:15

Roseli Tardelli, fundadora da Agência de Notícias da AIDS no Brasil, jornalista, apresentadora, produtora cultural e ativista, participou do painel de encerramento do “Fórum AIDS e Brasil” e conversou com a IMPRENSA sobre a responsabilidade da mídia sobre o assunto. 


Crédito:Alf Ribeiro
Jornalista diz que humanizar a pauta ajuda na informação

IMPRENSA – Como trazer a pauta AIDS de volta à imprensa?
Roseli Tardelli - Humanizando a cobertura. AIDS não é só estatística, não acontece só com pessoas famosas que morreram com o vírus em decorrência da AIDS. É sempre possível falar sobre o tema. Só usar um pouco mais de criatividade, do pensamento amplo que a comunicação nos traz. Eu não acho que diminuiu tanto – o mundo publica em média 30 notícias sobre AIDS todos os dias, a questão é como estão falando, com qual viés. Então, acredito muito no jornalista como agente de transformação e de prevenção. Tendo esse viés, tudo é mais fácil.

Então é possível discutir esse tema em diversas editorias?
Sim! Por exemplo, agora teremos Copa do Mundo, então vamos contar qual a situação de AIDS nos países com que o Brasil vai jogar, como México e Camarões. É sempre possível falar da doença, só precisa ter esse olhar interessante. Nós ajudamos a construir esse imaginário equivocado: falamos câncer gay, peste gay, grupo de risco...Se a gente tivesse dito lá trás: “olha, é um vírus que todo mundo está vulnerável e vão contrair o vírus”, teria sido diferente. Quer ver uma coisa? Descobriram AIDS em mulher quando as crianças começaram a nascer com o vírus. Está na hora de começar a desconstruir.

O papel da imprensa é fundamental nessa reeducação?
Eu, por exemplo, dentro do meu ofício, faço o que é possível fazer. Eu perdi meu irmão, sou uma pessoa que foi afetada pela questão da AIDS. Meu irmão morreu com 30kg, sem andar, sem enxergar, está tudo no valor da vida, como diz o título do livro que lançamos. É possível você trazer a pauta de volta à mídia nesse viés, de ser sempre um instrumento para que as pessoas possam perceber sua vulnerabilidade. 

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