Segundo painel de 'Fórum AIDS e Brasil' discute poder da mídia no combate à doença

Camilla Demario | 11/12/2013 16:20
O painel "O Poder da mídia no combate à AIDS no Brasil", do "Fórum AIDS e Brasil", organizado por IMPRENSA, contou com a moderação de Maria Helena Franco, Coordenadora de Marketing do ECOS - Comunicação e Sexualidade, e teve como painelistas João Ricardo de Abrahão, responsável pela campanha de combate a AIDS do Grupo Abril em 2014, e Paulo Giacomini, secretário de comunicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS - RNP+Brasil.

Crédito:Alf Ribeiro
Para debatedores, jornalistas ajudam a espalhar informações corretas sobre o tema

A intervenção começou com a apresentação de dados sobre AIDS e a participação da editora Abril no combate à doença, feita por Abrahão. Segundo Ministério da Saúde, 75% das doenças vem do estilo de vida da população. A partir daí, a Abril, que tem revistas para todos os públicos, decidiu abraçar a campanha para o ano que vem.

No Brasil, a revista Veja foi a primeira a abordar o tema - já a Claudia foi a primeira revista feminina a discutir AIDS da América Latina, em 1983. "A Abril já foi fundamental no controle da doença, mas hoje o governo e as campanhas se restringem ao 1º de dezembro [Dia Mundial da Luta Contra a AIDS] e carnaval". 

Paulo Giacomini começou sua participação reforçando o papel da mídia no combate à AIDS lembrando uma pesquisa realizada em maio de 2011, com duas comunidades virtuais frequentadas por pessoas que convivem com HIV e AIDS, na qual um depoimento chamou sua atenção. O caso de um rapaz que decidiu fazer o teste depois de assistir uma série de reportagens do médico Dráuzio Varela, no "Fantástico". O resultado deu positivo.

Segundo ele, nenhum depoimento dessa pesquisa fazia referência à campanhas do governo. Ou seja, o papel dos formadores de opinião nos meios de comunicação é fundamental no controle da epidemia", diz Giacomini, que lembrou ainda que, além da diminuição na abordagem do tema pelos grandes veículos, há uma redução nas fontes.

Os painelistas discutiram ainda a necessidade de repensar a abordagem das pautas para evitar uma possível repetitividade do tema. "Se você apresentar a matéria AIDS sempre, vai irritar o editor, mas por isso é preciso pensar no espectro, como violência contra mulher, efeitos colaterais, condições das mulheres penitenciária... São muitas abordagens", afirma Giacomini.

"Temos uma pauta permanente, que é atual e moderníssima: a suposta fidelidade em casais heterossexuais. Presume essa fidelidade, não se discute o tema em casa e o resto da história vocês já conhecem", lembra Maria Helena.

Leia também
Painel discute os erros e acertos da imprensa em relação à cobertura da AIDS
"Mídia não deve passar otimismo exagerado em relação à AIDS", diz Jarbas Barbosa
-
 Secretário de Vigilância em Saúde abre fórum AIDS com mapa da doença no país