'Contra fotos não há argumento', diz assessor de imprensa das celebridades

Camilla Demario | 26/06/2013 16:45
Assessor de um nova categoria de famosos, as “subcelebridades”, Cacau Oliver, 34 anos, é o responsável pela fama de estrelas dos sites de fofoca e de revistas sensuais como Geisy Arruda, Andressa Urach – que integra atualmente o elenco de “A Fazenda 6” (Record) –, e “Peladona de Congonhas”, como ficou conhecida a modelo Jéssica Lopes após trocar de roupa com a porta do carro aberta, em junho do ano passado, no estacionamento do aeroporto de São Paulo. 

Crédito:Divulgação
Cacau Oliver, assessor de imprensa das celebridades

Maranhense, Cacau chegou em São Paulo há 13 anos para trabalhar com o  irmão na produtora responsável pela "Banheira do Gugu". Extinto o quadro no "Domingo Legal", o ex-vendedor de roupas decidiu que sua paixão era mesmo a assessoria de imprensa. Em 2003 já trabalha para a Sexy como “olheiro”. Em seguida veio a proposta da Confederação Paulista de Futebol para criar o concurso “Gata do Paulistão”. 

“Eu comecei fazendo administração, e aí, não gostei, vi que não era o que eu queria e fui fazer jornalismo. Na faculdade, achava engraçado quando vi os colegas dizendo que queriam ser William Bonner ou a Fátima Bernardes. Eu sempre quis ser o Nelson Rubens”, diz. Atualmente, Cacau atende apenas 10 clientes e abastece dezenas de sites de notícias especializados em entretenimento. Confira entrevista:

IMPRENSA - Existe uma discussão se notícias de celebridade é mesmo jornalismo ou entretenimento. O que você acha?
CACAU OLIVER - Acho que é jornalismo. Por exemplo,  o mercado de nu. Quando trabalhei com a Sexy comecei a ver ali uma oportunidade. Vi que elas [modelos] queriam aparecer, mas a mídia não dava espaço como hoje. Você pegava a pessoa, fazia as fotos e nem dormia esperando para ver se saia no jornal do outro dia. Tinha esse lance de pegar uma pessoa e transformá-la. Eu acho que isso é jornalismo. Diferente, mas é.

Qual foi a cliente que deu certo e qual foi o maior desafio na sua carreira?
A Andressa Urach, que é a mais recente. O povo fala, “nossa que sorte que ela teve”. Mas ela trabalha comigo há dois anos e meio. No começo não deu muito certo. Expliquei que não ia rolar, acabei devolvendo o dinheiro e pedi para esperar acontecer alguma coisa. Daí surgiu a oportunidade de ser dançarina do Latino. O sonho dela era entrar num reality show. Disse que era possível, porque ela é bonita, fala bem - tanto que ela ficou confinada no "Big Brother", mas não entrou. Ela ficou em depressão, arrasada porque não conseguiu o objetivo. Falei para ela ter calma que ainda tinha "A Fazenda" e acabou dando certo. 

Em geral, qual celebridade é a mais citada como referências pelas suas assessoradas?
A Sabrina Sato. A partir daí começo a traçar o caminho, converso com a pessoa, vejo se ela não é louca (risos), o que ela quer. Cada um tem um objetivo. Tem gente que quer ser apresentadora, atriz. Mas daí eu tento situar a pessoa na realidade. Se vejo que a pessoa é muito deslumbrada, não tem como desenvolver um trabalho. Ela tem que entender que na assessoria vou fazer que ela seja desejo da mídia, dos meios de comunicação. Mas nem sempre o que crio é bem aceito e ela pode ficar insatisfeita com isso. 

E o que é preciso para uma cliente atingir o objetivo de virar celebridade?
Fui convidado para o programa do Pedro Bial e estava com a Xuxa falando sobre fama. Estamos no país do futebol e mulher bonita e futebol é algo que dá muito certo. Aí a Xuxa perguntou: “eu fui a única namorada do Pelé que deu certo, como explica isso?” Daí que entra a assessoria. Fiz a minha parte de criar uma história, mas claro que a pessoa também precisa ter uma luz própria. Se ela der certo ok. Foi um investimento tanto meu quanto dela.

Qual estratégia foi usada para transformar a Jéssica Lopes em “Peladona de Congonhas”?
Quando acontece um caso como o dela, que chama muita atenção, acaba anulando uma história que é antes, como aconteceu com a Andressa e o Cristiano Ronaldo. As pessoas falam que essa história “foi o Cacau que inventou”, como se fosse fácil eu pegar o telefone e ligar para o Cristiano Ronaldo e dizer “oi, tudo bem? Você pode vir aqui em casa agora que eu estou fazendo um bolo?” (risos). Então na verdade você acaba ficando escravo das coisas que você faz. Por exemplo: todo mundo foi protestar nas ruas, Bruno Gagliasso, todo mundo. Se a Andressa, ou qualquer pessoa com quem eu trabalho fosse pra rua, iam dizer “ah, está querendo aparecer” (risos). Então acho que você fica muito refém da sua história. 

Mas como foi o bastidor para o flagra da Jéssica no aeroporto?
Não tem bastidor, aconteceu (risos). Vou te falar uma coisa: ela não estava lá? Não foi feita uma foto? Então aconteceu! Não é “contra fato não há argumento”, é “contra foto não há argumento”. A Geisy [Arruda], por exemplo, eu fechei o contrato dela para a Sexy. Mas na época as pessoas caíram de bomba, “ai, ela é horrorosa, é gorda”, falando que [escândalo quando foi expulsa da faculdade por usar vestido curto] foi combinado, mas as pessoas perdem um pouco da noção, né? Como você vai combinar uma coisa daquelas com a faculdade inteira? Tem coisas que realmente acontecem. Por mais esdrúxulo, por mais trash, mas aconteceu.

Mas a foto poderia ter sido armada, não?
Não vou falar que foi combinado porque não foi, mas o que é verdade no entretenimento, que não é combinado? Não tem. Tudo que você cria nesse mercado, tem um personagem. A Xuxa não é a Xuxa, aquela pessoa doce: ela vai ao banheiro, faz necessidades como todo mundo. A Andressa não é a gostosona o dia inteiro. No caso da Jéssica foi uma exposição muito forte, as pessoas tendem a olhar só para aquilo. 

Como é lidar com o ego das celebridades? É a principal dificuldade?
Mulher, naturalmente, tem o ego muito inflado. Tem gente que liga e diz “eu não estou na home dos sites hoje!”, aí eu explico que não tem que estar todos os dias. Tem que situar a pessoa, dizer que nem quem está na novela do Globo está nas principais chamadas dos sites todos os dias. Não é fácil, porque elas confundem. Vira um vício. Eu sempre falo “a pior coisa da fama é você conhecer a fama”, porque você fica viciado, vira uma droga. 

O fato de você ser também uma pessoa reconhecida no meio ajuda seu trabalho? Ou atrapalha?
Eu sou uma pessoa muito pé no chão. Eu faço uma busca no Google do meu nome todos os dias, porque eu acho importante saber o que as pessoas estão falando, é uma mania que eu tenho. A exposição é fruto do trabalho. Assim como elas que eu assessoro são alvo de críticas, eu também. Eu tenho que criar uma boa relação com as pessoas porque quando tiver que publicar a foto de uma pessoa desconhecida, elas vão publicar por mim, porque o Cacau que pediu. 

Se a Sabrina Sato é a referência mais citada pelas suas clientes, quem é referência de trabalho para você?
Eu. Porque na verdade não aqui que faça o que eu faço. Não é porque eu sou o melhor, o the best, mas quem mais trabalha só com esse lado do sensual? Eu não conheço ninguém. Conheço quem só assessora, mas não quem pega uma pessoa e trabalha uma imagem até criar um nome.