Monalisa Perrone comemora quarto troféu: “Acho que consigo passar naturalidade”

Guilherme Sardas | 01/03/2013 15:30

Crédito:Wellington Almeida
Monalisa Perrone

Repetindo o triunfo das três últimas edições do Troféu Mulher IMPRENSA, nesta 9ª edição, a jornalista da TV Globo, Monalisa Perrone, conquistou seu quarto troféu na categoria repórter de telejornal. “Acho isso uma loucura. Como pode ter tanto reconhecimento? (risos)”, comenta.

E ensaia uma resposta. Primeiro, destaca a gentileza de seus eleitores. Aposta ainda – com certa hesitação – na naturalidade que procura transmitir na telinha. “As pessoas buscam hoje uma linguagem mais direta e natural. Acho que estou conseguindo fazer isso, o que, talvez, explique”. E acrescenta: “Sou assim mesmo. Sou muito dada (risos)”.


Para a jornalista, que atua na TV Globo desde 1999 – tendo passado por inúmeras áreas e editorias –, a espontaneidade pode ser também herança da experiência no rádio, onde começou. Primeiro, na Jovem Pan, depois, na rádio Bandeirantes. Dali, migrou para a TV Bandeirantes, onde dividiu bancada com José Nello Marques.


Na entrevista abaixo, a tetracampeã fala como evita a formalidade em suas matérias, do seu futuro na emissora e relembra o episódio em que foi empurrada por um manifestante em um link ao vivo. “Depois daquilo, há uma tensão maior entre repórter e equipe”, diz. Confira a entrevista na íntegra:


IMPRENSA – Como você justifica tanto reconhecimento? Afinal é seu quarto troféu.

MONALISA PERRONE – Não sei o que é isso. É preciso dizer que as pessoas que concorrem comigo são maravilhosas: a Sônia Bridi, a Neide Duarte, a Déliz Ortiz e a Adriana Araújo. As pessoas buscam hoje uma linguagem mais direta e natural.  Acho que tenho conseguido mostrar essa naturalidade. Ao mesmo tempo, acho que tem uma gentileza muito grande das pessoas que votam. Mas, quatro vezes? Nem pensar (risos).


Trabalhar em TV depende de uma relação de amor com a câmera?

Na minha opinião, trabalhar em TV é valorizar a imagem. Acho que essa coisa de fitar com a câmera não existe. Não faço da câmera uma performance. Tanto que o Wellington Almeida, que é o repórter com quem eu mais trabalhei, me dirige às vezes. O trabalho dele é a continuação do meu.


Existe uma orientação geral da Globo para buscar essa naturalidade?

Não. Não tem essa orientação. A Globo não chega para ninguém e diz: “seja solto”. Eles apenas observam sua característica e você vai. E, claro, eles estão na condução. O que eu percebo é que os repórteres que têm uma história no rádio, como o Tralli, eu, o Bassan, o Paglia, o César Galvão, mostram uma naturalidade maior ao vivo. Por exemplo, eu sou essa pessoa mais dadinha (risos). Já tomei muita bronca porque exagerei, mas não tem jeito, se você é natural, é natural. Prefiro tomar bronca a querer acertar o tempo inteiro.


Você cogita voltar à bancada?

Fiz isso muito tempo na Band, faço algumas substituições na Globo também, mas acho que são processos naturais. Não espero isso. Não dá para ficar com foco em outra coisa, senão você perde o instinto da reportagem. Eu me divirto trabalhando, acho que um dia vão me mandar embora por causa disso (risos). Não fico me preocupando muito onde quero chegar. Eu faço como Zeca Pagodinho: 'deixa a vida me levar' (risos). 


Veja o vídeo de Monalisa Perrone sendo empurrada ao vivo.


No final de 2011, teve o episódio em que você foi empurrada por um manifestante durante o link ao vivo. Aquilo aumentou a preocupação da Globo com a segurança?

A gente trabalha hoje com mais seguranças e estruturas nas coberturas em locais públicos porque os caras continuam. A gente trabalha de uma outra maneira sim, não só por causa daquele episódio, foram vários episódios. Na verdade, a interferência do público é bem-vinda, mas elas só não podem chegar com violência. A violência da cidade se reflete em qualquer atividade. Além disso, tinha muito roubo de equipamento, de câmera. Mas, há uma tensão maior com o repórter e a equipe, depois do episódio.