Equipe do jornal carioca O Dia é torturada por milícia em favela

Redação Portal IMPRENSA | 01/06/2008 02:48

No último dia 14 de maio, um grupo de repórteres do jornal O Dia foi seqüestrado, torturado e mantido em cárcere privado em um barraco, localizado na favela do Batan, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ). Os jornalistas estavam na favela investigando a atuação de milícias no local.

As milícias são grupos formados por policiais militares, na ativa ou aposentados, bombeiros e até ex-traficantes, que cobram pela segurança dos moradores e assumem o controle de atividades ilegais em favelas e bairros.

Segundo informa O Dia, os jornalistas passaram por sete horas meia de interrogatório, submetidos a pontapés, socos, choques elétricos, roleta-russa, sufocamento com saco plástico e tortura psicológica.

Durante um dos intervalos das agressões, a equipe de reportagem ouviu sirenes em torno do cativeiro, mas os homens que chegavam ao local eram solidários aos torturadores, ao invés de socorrer as vítimas. Mesmo com as ameaças de morte feitas pelos integrantes da milícia, as vítimas foram liberadas, na condição de que mantivessem segredo sobre as agressões.

O jornal esclarece que a cúpula da Segurança do Estado do Rio foi notificada sobre o caso, mas a decisão de não divulgar a agressão até este sábado (31) se deu em razão das investigações policiais que poderiam ser prejudicadas, e da segurança dos jornalistas envolvidos. Na edição deste domingo (01/06), O Dia mostra detalhes do caso, em matéria especial.

Seis anos sem Tim Lopes

O diário carioca divulga a história de violência contra seus repórteres no dia que precede o aniversário de seis anos de morte do jornalisra Tim Lopes, da TV Globo, assassinado enquanto preparava uma reportagem sobre bailes funks nos subúrbios do Rio de Janeiro (RJ).

Tim investigava uma denúncia de moradores da favela de Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, que afirmaram existir no local um baile funk promovido por traficantes com consumo de drogas e sexo explícito com menores. De acordo com a Rede Globo, o repórter esteve na região quatro vezes - duas sem microcâmeras e duas com o aparelho.

O jornalista desapareceu em 2 de junho de 2002, depois de ser reconhecido e capturado por traficantes. Lopes foi levado para o morro da Grota, também no complexo do Alemão, onde teria sido esquartejado e queimado em pneus --método conhecido como "microondas".

Leia, a seguir, a íntegra da nota do jornal O Dia

"Uma repórter, um fotógrafo e um motorista do jornal O Dia foram seqüestrados e torturados pela milícia da favela do Batan, em Realengo, na zona oeste do Rio, na noite de 14 de maio. A equipe fazia uma reportagem sobre a vida de moradores em regiões controladas por milicianos, conforme relata em detalhes matéria na edição deste domingo, 1º de junho, de O Dia.

Os três profissionais estão a salvo, em bom estado de saúde, em local seguro, e vêm recebendo irrestrito apoio da empresa, incluindo acompanhamento psicológico.

O fato, ocorrido há duas semanas, só foi divulgado agora para garantir a integridade física dos envolvidos.

O governador Sérgio Cabral e as autoridades policiais do Estado do Rio foram informados e estão acompanhando atentamente o caso. A investigação está a cargo do delegado Cláudio Ferraz, titular da Draco, que tem tido uma conduta exemplar.

O Dia reitera sua confiança no trabalho da polícia e tem a convicção de que os bandidos, que usam a farda para cometer crimes, serão presos e punidos na forma da lei

Alexandre Freedland - Diretor de Redação".

Com informações do jornal O Dia