Opinião: Um triste "Dia do Jornalista", por Thaís Naldoni

Por Thaís Naldoni, gerente de Jornalismo de IMPRENSA | 07/04/2015 12:45

Desde que entrei para a profissão, 07 de abril sempre foi uma data festiva. Colegas se cumprimentavam. Revistas e jornais estampavam anúncios celebrando os profissionais que , dia a dia, enchiam as páginas dos impressos, as telas da TV e as ondas do dial com notícias, afinal,  era Dia do Jornalista, e eu me orgulhava (orgulho) de ser uma. 

Há alguns anos, no entanto, o "Dia do Jornalista" traz mais incertezas do que celebrações. E às vésperas da data neste ano, o mercado sofre baques seguidos, que deixa um gosto amargo na boca não só de quem é atingido pelos frequentes cortes, mas também pelos que permanecem nas redações cada vez mais enxutas.

Só neste ano, os comunicadores viram minguar vagas em O Estado de Minas (11); O Globo (30); TV Bahia (37); Record (20); Diário de Pernambuco e AquiPE (130); Band (50); O Estado de S. Paulo (200), além do fechamento da IstoÉ Gente, da Editora Três, acompanhada de 26 demissões, somando, ainda, a editora Segmento, que cortou 20 de seus funcionários. 

Este cenário faz com que o clima nas redações pese, afinal, todos estamos no mesmo barco e a impressão de que o naufrágio sem botes salva-vidas é questão de tempo deixa a todos com a sensação de estar abandonado à deriva. 

A despeito do contexto desolador que se vê na mídia tradicional, ainda há quem acredite que o Jornalismo jamais morrerá e que, passada tempestade, o sol do novo dia trará mais esperança de recomeços. Para se ter uma ideia, Jornalismo foi o sétimo curso mais procurado da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), entre as 111 opções oferecidas. São sessenta vagas para mais de 2 mil inscritos, ou seja, uma média de 36 candidatos/vaga. 

Nas conversas que tenho com estudantes de comunicação, busco incentivá-los a fugir do igual, para que não sejam “mais do mesmo”. Peço para que abram os olhos para as pessoas, os acontecimentos, que deem a cara a tapa e botem o pé na rua. Nesse mercado competitivo, com cada vez menos vagas e com muita concorrência, ser diferente da massa é fundamental. E independentemente da plataforma, a mão que souber contar boas e relevantes histórias, sempre terá uma “pena” para chamar de sua.

E se hoje, não dá para desejar um “Feliz Dia do Jornalista”, que a data sirva para essa classe profissional, tão desunida e individualista, enxergue, como um todo, a necessidade de fortalecimento do mercado e da valorização do profissional, afinal, a comunicação e, consequentemente, o comunicador são fundamentais para a sociedade, para a democracia, para a manutenção dos direitos básicos do cidadão. 

E que, no ano que vem, a pauta seja outra.  


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