Opinião: Sobre expectativa e realidade, por Thaís Naldoni

Por Thaís Naldoni, gerente de Conteúdo de IMPRENSA | 21/01/2015 17:10
Na última terça-feira (20/01), o portal R7 publicou uma galeria de fotos da jornalista Fernanda Gentil com um texto curto e de mau gosto e, claro, legendas de revirar o estômago de qualquer jornalista que se preze. "Fernanda Gentil tem mais curvas do que as roupas revelam e tem algumas celulites", (...) "o atributo preferido das brasileiras, dela é meio reto", (...) "O figurinista da Fernanda Gentil merece os parabéns por conseguir disfarçar as imperfeições de seu corpo tão bem".

Quando bati o olho naquilo via redes sociais, fiquei espantada, sobretudo, porque nunca me pareceu que a Fernanda Gentil quisesse se promover por meio de seus atributos físicos. Ela se destacou pela cobertura jornalística e carisma durante a Copa do Mundo, vestindo um uniforme padrão de cobertura da TV Globo. 
Crédito:Reprodução
Galeria mostrou Fernanda em banho de praia com legendas grotescas

Fernanda nunca declarou o culto ao corpo, nunca se comparou à Gisele Bündchen, nunca mostrou querer ser nada além de uma jornalista competente e reconhecida pelo seu trabalho. Afinal, em que desmerece a atuação da jornalista o fato de a bunda dela ser maior ou menor, o fato de ter celulite ou não? E o arremate??? Depois da tristeza publicada, soube-se que a apresentadora está grávida de dois meses do primeiro filho. 

Enfim, o fato é que a nota canalha, publicada sem assinatura no site da Record, expõe muito mais do que os atributos de quem estava na sua, curtindo a folga na praia. Expõe uma falta de ética jornalística imensa, expõe a profissão e o veículo ao ridículo. 

Refuto fortemente o argumento de que “isso é coisa de estagiário”. Isso é coisa de gente que sabia muito bem o que estava fazendo, que usou de meios de péssimo gosto para atrair audiência. A minha atraiu, acompanhada de um asco, que me fez ter pena dos rumos que o jornalismo da audiência pela audiência está tomando.

Crédito:Reprodução
Página retirada do ar


Óbvio, que com toda a repercussão negativa, aliada à gravidez revelada da jornalista, o R7 fez o que todo covarde faz: saiu de fininho e retirou a “matéria” (matéria, né?) do ar. 
 
Eu tinha expectativa de que neste ano o jornalismo se levasse um pouco mais a sério, mas a realidade tem se mostrado outra... 

Pois é... e 2015 está só começando... 

Para ler outros textos da colunista, clique aqui