Opinião: "Deixa que digam, que pensem...", por Thaís Naldoni

Thaís Naldoni | 03/06/2014 17:10

Dá até medo. Qualquer matéria ou nota em sites, posts em blogs e em redes sociais estão sendo monitorados. E não, não estou falando da NSA de Edward Snowden, nem da CIA, nem da inteligência nacional, mas dos patrulheiros que não pensam duas vezes em desancar toda e qualquer coisa que seja diferente dos que eles pensam.

Vá lá postar que você curtiu algum programa que passou na TV Globo! Não dão cinco minutos para que batam à sua porta – ou ao seu feed – dezenas de pessoas que falam com a boca cheia de argumentos (alguns de doer) que a “nefasta emissora aliena as cabeças dos telespectadores”. Não interessa se você tem razão ou se o cara que comenta desce a lenha na emissora e depois tuíta comentários sobre a novela. Caso você não fale mal da TV, já está nadando contra a maré.

Depois, poste algo relativo à política, não importa se a favor ou contra alguma coisa. As pessoas não se dão ao trabalho de ler o que você escreve. É a geração “Twitter”, que jura que basta ler o título, ou no máximo a primeira linha, que já é possível saber exatamente o que o texto diz para detoná-lo. Sim, a internet e as redes sociais criaram um rol de gente que sabe muito mais do que qualquer pessoa que postou alguma coisa. E um batalhão de pessoas que não sabe nem por um minuto fazer interpretação de texto.

Cansei de ler comentários com as argumentações mais descabidas sobre temas variados, simplesmente porque o bendito que escreveu o tal comentário não teve a menor capacidade de interpretar o que leu. Às vezes, se prende a uma palavra, uma expressão, uma foto, quando, na verdade, o todo de uma informação é o conjunto disso tudo.

E em tempos de corrida eleitoral – sim, ela já começou – partidos políticos têm recrutado (pagando por isso) um batalhão de internautas para bater em qualquer matéria que seja contrária à sua “fé política”. 

Volto a escrever minhas coluninhas semanais, já imaginando que vou levar pedradas, mas quer saber? Como imortalizou Jair Rodrigues, “deixem que digam, que pensem, que falem”.... mas o ideal seria mesmo que o pensar viesse antes do falar. Ou do escrever. 

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