Opinião: O “rei” existe e o jornalismo se encolhe

Thaís Naldoni, gerente de Jornalismo de IMPRENSA | 11/11/2013 18:12

Na semana passada toda não se falou em outra coisa: o “Rei do Camarote”, personagem destacado na capa da Veja São Paulo, seria uma grande “barrigada”.

A repercussão da matéria por si só era incrível. Aliada a um vídeo muito bem editado, o empresário paulistano que gastava R$ 50 mil em uma balada, virou febre, meme e alvo de comentários maldosos.

Uma entrevista concedida à Rádio Bandeirantes gerou ainda uma polêmica maior. O entrevistado deu a entender que tudo poderia ser apenas uma brincadeira. Pronto. Como para “agregar valor ao camarote” falar mal da revista é fundamental, jornalistas em sites, blogs e redes sociais começaram a disseminar a versão de que o personagem não era real. Que seria uma pegadinha do programa “Pânico da Band” e que a revista teria caído como um peru degolado na ceia de Natal.

A Veja São Paulo bem que tentou. Fez outra matéria explicando que tudo havia sido checado e que não havia chance de um erro deste tamanho. Claro que pouca gente ouviu. Disseminar a fofoca e desacreditar a revista era muito mais legal. E assim foi.

Sites de humor se aproveitaram do tema e criaram notas fakes, que diziam ter descoberto que o empresário rico era, na verdade, estagiário da Band. Como ao humor se permite fantasias, as matérias traziam até aspas.  Ao humor se permite, ao jornalismo não. E a polêmica seguiu rendendo.

Crédito:Reprodução
Capa da matéria polêmica


Domingo passado (10/11), o “Pânico da Band” aproveitando-se da história, deixou bem para o final uma matéria sobre o tema. Não desmentiu a Veja, tampouco disse que se tratava de uma pegadinha. Apenas mostrou um cara mais rico que o da publicação da Abril, que gastava ainda mais em baladas.

A questão é: cadê a mea culpa daquele monte de gente que afirmou, com todas as letras, que era pegadinha do “Pânico”? Que a matéria era furada? Houve retratação? Alguém se desculpou? Claro que não... e o jornalismo enfraquece a cada vez que um boato não checado é disseminado como verdade.

Bom para a Vejinha, que foi assunto a semana toda. Bom para o “Pânico”, que contou com mídia espontânea. Ruim para o jornalismo, que se mostra cada vez mais frágil e refém do que circula nas redes sociais: verdadeiro ou não.

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