Opinião: Campanha de Chiquinho Scarpa “enterra” a imprensa

Thaís Naldoni, gerente de Jornalismo de IMPRENSA | 20/09/2013 16:15


 

Nesta semana, a mídia foi surpreendida por uma campanha bem pensada e que colocou a imprensa nacional, mais uma vez, em saias bem justas. Na última segunda (16), o milionário excêntrico Chiquinho Scarpa anunciou, por meio de sua conta no Facebook, que faria o “enterro” de um luxuoso carro, inspirado nos hábitos dos faraós do Egito.

 

Estranhamento geral, risadas, indignação – inclusive dessa jornalista que vos fala, que achou das coisas mais bizarras que já leu na vida. O fato é que, pelo retrospecto do Conde Scarpa, não era de se duvidar do acontecimento. Ainda assim, achei muita fé – ou falta de fé – no jornalismo, da agência que orquestrou a ação, a Leo Burnett, que visava alavancar a Campanha Nacional de Doações de Órgãos.


Crédito:Reprodução
Chiquinho Scarpa e Leo Burnett deram um baile na mídia nacional

 

Por que digo isso? Óbvio que geraria curiosidade, as pessoas comentariam, mas foi corajoso acreditar  - e acertar – que a repercussão seria assim tão gigante, e que muito veículo de comunicação compareceria à mansão de Scarpa para presenciar o “sepultamento”, com equipes fazendo entradas “ao vivo”, fotos, entrevistas e afins.

 

O objetivo da ação é nobre, válido e o planejamento eficaz. No entanto, é mais um dos tapas que a mídia nacional toma , e merecidamente, diga-se. Afinal, além da bizarrice, qual seria a grande pauta de um milionário que resolve imitar um faraó e enterrar o carro? Essa é a realidade da imprensa brasileira, em que a antinotícia e o espetáculo norteiam a cobertura.

 

E a Léo Burnett mandou muito bem, principalmente por identificar tal comportamento  midiático, e inteligentemente, usar do imediatismo e da falta de critério da mídia para promover uma causa nobre e urgente.


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