Opinião: Nada de tchau! Em memória de Rodrigo Manzano

Por Thaís Naldoni | 23/07/2013 16:46


Quando mais “tchaus” a gente dá na vida, mais fácil deveria ser dar os novos tchaus que a vida nos obriga. Deveria, mas não é assim que acontece. Cada tchau é um novo tchau. É a despedida de uma situação diferente, de uma pessoa diferente, de um tempo diferente. Há tchaus em que estamos mais estruturados. Temos a certeza de que ele vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Outros, em que um susto nos leva à despedida de quem parecia que nunca partiria.


Dizer tchau é tarefa das mais difíceis, sobretudo quando há sentimento envolvido. Conforme o tempo passa, os encontros nos trazem novos amigos, novos amores, novas famílias. Nem sempre contamos àquelas pessoas que estão à nossa volta o quão importantes elas são. Ou o quanto representam ou representaram naquele momento. Mas vejam: uma pessoa que foi importante em um momento de sua vida, será importante em toda ela, porque as escolhas que nos norteiam são tomadas dia a dia, momento a momento.


O tchau traz um vazio estranho, uma falta de não sei o que.  Como quando os pais se despedem dos filhos depois de uma visita de férias, quando a casa se esvazia e fica um ar de que ali estava tudo repleto de vida e, de repente, aquele espaço barulhento torna-se a mais profunda tradução do silêncio... não é um tchau definitivo. É um até daqui a pouco, mas que naquele momento ecoa com uma violência de explosão.


Hoje, aqui na IMPRENSA, ecoa um silêncio doído. Nos últimos 11 anos, a história da editora se confundia com história de um menino brilhante. Tão brilhante que era inacreditável que alguém com vinte e poucos anos pudesse ter tanto conhecimento e, ao mesmo tempo, ser doce como fava de baunilha fresca. Rodrigo Manzano encantava. Pela inteligência, pelo humor ácido, pela irreverência, pelas tiradas.


Crédito:Arquivo IMPRENSA
Rodrigo Manzano, Igor Ribeiro e Thaís Naldoni


Quando fui apresentada a ele, em 2004, a simpatia foi imediata e, para uma repórter jovenzinha, saber que meus textos passariam pelas mãos dele e ganhariam toques de genialidade era um conforto. Eu amava ler os antes e depois para tentar buscar suas referências, suas formas de trabalhar aquela informação.


Por outro lado, aquele moço alto, fofo, com um abraço de urso de tão gostoso, era uma delícia de ter no convívio. As histórias que ele contava eram engraçadíssimas e não seriam se contadas por outra pessoa. E sim, ele dançava. Karina Padial não me deixa mentir. Aqui, a redação que ele deixou há dois anos, mas que na verdade nunca deixou porque era citado e consultado em diversas situações, muito lembra ele.


O vejo de camiseta branca e carregando sua mochila, com os invariáveis óculos de aros grossos, entrando pela porta apressado, ou saindo mandando beijos, porque estava indo a pé, dar aulas na FMU. Ele falava de arte, de literatura, de culinária e de amor. De alianças Tiffany, compradas para celebrar os dez anos de casamento. É disso tudo que quero lembrar e guardar no coração. Dos bolos de aniversário dele, comprados por ele próprio para os parabéns. De geleia francesa, de carinho que não acaba.


Imaginar não ouvi-lo mais falar, me incomoda. Não ter me despedido como gostaria, também.  Não dei tchau para o Rodrigo. Queria ter dado, mas preferia, na verdade, que ele nunca tivesse partido. No último e-mail que trocamos, em que falávamos de saudades, ele me disse: “preciso ir no centro matar a saudade. Te aviso quando conseguir mudar de rota”. Não avisou.  A ausência de Manzano estará sempre presente nesta empresa, na minha história e no meu coração.


Para você, Rô, nada de tchau.  Logo mais a gente se vê.


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