Opinião: Desculpa, mas “imprença” não dá!

Thaís Naldoni | 11/06/2013 16:40


Quem me acompanha pelas redes sociais, Twitter e Facebook, sabe do probleminha que tenho com palavras mal escritas. Vira e mexe recebo textos, emails com problemas e tenho olho clínico para encontrar em leituras casuais erros que fazem doer os olhos dos que gostam bastante do português correto, bem escrito, das palavras escolhidas com esmero.


Dias desses, abrimos uma vaga de estágio aqui na redação de IMPRENSA. No anúncio sempre deixo claros os pré-requisitos da vaga, informo a maneira como os currículos devem ser enviados e assim por diante. Nesses casos, sempre aparecem palavras dignas de serem estudadas antropologicamente. Não consigo entender de onde a criatura tira que a palavra “reflexão” se escreve com a letra q: “REFLEQUIÇÃO”, segundo o candidato.


Fico abismada ao ler essas coisas, sobretudo porque, imagino que estudantes de Jornalismo gostem e saibam escrever. Ninguém vai ser jornalista se não tiver um carinho especial pela palavra: sua pronúncia, sua escrita. Não espero que o estudante chegue à redação sendo perfeito em títulos ou que saiba exatamente que, muitas vezes, o que é colocado lá no pé da matéria é, na verdade, o mais importante e deveria ser lead. Mas, espero que ele saiba que acesso não tem cedilha (AÇESSO) e que “MENAS” não existe.


Nesse último processo de seleção, percebi duas coisas: os interessados na vaga não leem o anúncio, só o título. Acho que é um mal que as redes sociais disseminaram. É muito comum que as pessoas retuítem ou compartilhem algo no Facebook só lendo o título, sem saber direito o que diz a notícia de fato.  Então, quando o anúncio diz “currículos que não se encaixarem no perfil não serão considerados”, é o mesmo que não dizer nada. Você vai receber o currículo mesmo assim. A outra é o que parte dos pretensos jornalistas não leem,  não se informam e e nem revisam o que enviam para o selecionador.


Ilustro essa última passagem com e-mail que recebi:


“Cara Thais, tudo bem?

Envio no anexo meu curriculu com minhas qualificações para a vaga de estagio que vi no Facebook do portal imprença. Trabalhar com vocês com certeza vai melhorar minha qualidade profissional e me deixar apito para qualquer redação do Brasil. Estou no 2º ano de Jornalismo e tenho certeza de que também vou contribuir muito para o trabalho no portal imprença, o qual açesso todos os dias.

Abraços”.


Ok. É claro que o pretenso colega não acessa o site, senão saberia que IMPRENSA é com s e nem passou um revisorzinho de Word para não cometer tamanhas gafes. Meu conselho para hoje (se é que posso dar um)? Candidatos, leiam os anúncios de vagas quando se interessarem por alguma e façam de acordo com o que é pedido: enviar currículo anexo quando é pedido no corpo do e-mail te desclassifica de cara.


A outra coisa: leia, releia, passe o revisor, mostre para o colega, mas nunca, nunca, nunca no mundo envie para um selecionador de uma vaga em comunicação principalmente, uma apresentação com erros de português.


Nesse caso, eu respondi o email e sugeri que o estudante revisse seu currículo para que pudesse aproveitar oportunidades futuras. Tomara que tenha ajudado.