"Foi 'queimando muito filme' que cresci", diz o fotógrafo Edison Caetano

Felipe Menezes | 19/10/2011 17:46

Das fotografias 3x4 no interior do estado do Paraná, no início década de 1970, às imagens de tribos indígenas acrianas durante seus rituais já no novo milênio e a cobertura do julgamento dos assassinos do conhecido ativista Chico Mendes, morto em 1988, a carreira do fotógrafo autodidata Edison Caetano nada tem de "estática", por assim dizer. 

Crédito:Edison Caetano
O ativista Chico Mendes

Nascido na cidade de Toledo, em 1958, sua carreira começou aos 14 anos de idade, acompanhando seu pai, que era fotógrafo no município de Catanduvas (PR). "Inicialmente pesava os químicos numa balancinha e lavava as fotografias para depois esmaltá-las. Mas logo já estava fotografando 3x4 para título de eleitor, um serviço muito procurado na época", relembra Edison.

No entanto, a parceria durou apenas três anos. O aprendizado 'caseiro' chegou ao fim quando seu pai decidiu encerrar o negócio e a carreira. "Meu pai parou de fotografar e eu dei continuidade. Assim como ele, que havia aprendido a fotografia de forma autodidata, eu também fui obrigado a me virar como podia. Então foi 'quebrando a cara' e 'queimando' muito filme que cresci", conta o fotógrafo.

Crédito:Edison Caetano
Festival Yawanawa

Ainda durante os anos 1970, Edison investiu na criação de um jornal, batizado de Jornal Opinião. A publicação, mesmo feita de maneira quase rudimentar, durou um ano. "Imagine um jornal quinzenal, feito em tipografia, por um jovem de 20 anos que nunca havia entrado em uma redação?", lembra o fotógrafo. O empreedimento resultou em convites para colaborar com jornais na região, redigindo notícias de sua cidade.

Tempos depois, Caetano mudou-se para Rio Branco, no Acre. Lá, trabalhou em diversos jornais, como O Rio Branco, Banacre e Hora do Povo, além de servir a Assessoria de Comunicação do Governo do Estadual e do Tribunal de Justiça do Acre. "Junto com meu primo, acabei vindo para o  Acre em 1982. Inicialmente como fotógrafo no Governo Nabor Júnior. Depois disso, trabalhei em vários jornais, fazendo, inclusive, a cobertura do julgamento dos matadores de Chico Mendes, em Xapuri".

Crédito:Edison Caetano

Por mais de cinco anos, o fotógrafo trabalhou para o Tribunal de Justiça do Estado, em um programa de documentação dos povos da floresta. "Viajávamos de barco por até cinco dias para alcançar comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas".

Atualmente, Edison Caetano possui um estúdio fotográfico no centro da capital acriana, voltado para cobertura de eventos sociais. Para ele, a principal diferença entre fotografar eventos e o 'hard news' dos diários está nos imprevistos. "O fotojornalismo nos eventos sociais não é como no dia-a-dia de um jornal. Nos eventos, você sabe tudo o que vai acontecer. Já na reportagem, não. É sempre imprevisível", explica.

Crédito:Edison Caetano

Segundo Edison, a multiplicação de 'fotógrafos', resultado da popularização das câmeras digitais, "não deixa de ser positiva para a fotografia", mas ele lembra que "como em qualquer outra profissão, deve haver o conhecimento de técnicas e acúmulo de experiência".

Aos 52 anos, o fotógrafo, de certa forma, não deixou de seguir os passos do pai. Em seu estúdio, ele mantém o fluxo hereditário desta paixão, ensinando seus filhos a fotografar. O aprendizado 'caseiro', neste caso, atravessou gerações.

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*Com supervisão de Thaís Naldoni