Você sabe o que seus candidatos pensam sobre esporte?, por Anderson Gurgel

Apesar do espaço que a campanha eleitoral ganha na mídia e também nos debates, ainda pouco se sabe e sobre o que pensam os políticos sobre as políticas e práticas esportivas brasileiras.

Anderson Gurgel | 29/09/2014 18:45
Quando comecei esta coluna decidi que os assuntos aqui abordados seriam sobre o esporte e, quando pertinente, sobre a relações das práticas esportivas com a comunicação. Sendo assim, não poderia perder a chance de fazer um link desses temas com as eleições gerais que teremos no começo de outubro. 

A minha defesa aqui é a de que o esporte, ainda que não seja “eleito” pelos políticos como bandeira prioritária, importa muito. E mais, pode fazer a diferença para uma sociedade melhor. 

O esporte, além de ser um elemento identitário do Brasil (vide a imagem da Seleção Brasileira pelo mundo afora), também impacta na qualidade vida cotidiana de cada cidadão. Antes de o esporte gerar ídolos e movimentar uma bilionária indústria que emprega milhares de pessoas, ele tem a ver com a prática amadora de outros milhões de brasileiros. 

Como consequência, as práticas esportivas contribuem para a redução de problemas de saúde causados pelo sedentarismo, além de também ajudar no combate à violência e à criminalidade, pois socializa, integra e gera perspectivas de vida em lugares empobrecidos e abandonados. 

Esporte é esporte, mas também é cultura, é economia, é saúde, é política, é cidadania e tantas outras formas de fomentar a cidadania e a construção de cidadãos que pudermos apontar. Enfim, esporte é comunicação em si e pelos exemplos que surgem nele e ganham o mundo fora dos jogos desportivos.

Quando vemos debates na TV, por exemplo, é muito raro que esse assunto seja abordado pelos candidatos à Presidência da República ou ao Governo do Estado. No caso das disputas para o legislativo, até temos um pouco mais de contato com aqueles políticos que, na luta por uma vaga como deputados ou senadores, até falam do assunto, mas sempre a partir de generalidades. Tipo: “Votem em mim e vou defender o esporte no Congresso!”

Por isso, é que julgo importante termos como um foco de preocupação com o que pensam nossos candidatos sobre esse tema. Cabe reforçar, estivemos envolvidos por muitos anos com a preparação de uma Copa do Mundo e, ainda por um bom tempo, estaremos focados na preparação e realização de uma Olimpíada. Isso significa um volume enorme de recursos e toda uma agenda de políticas públicas de esporte voltadas para o esporte de alto rendimento. 

Nesse sentido, termos preocupação em saber o que pensam os candidatos a cargos executivos, tanto em Brasília, quanto no Rio de Janeiro, por exemplo, sobre o projeto olímpico atualmente em andamento é crucial. Não é menos relevante descobrir o que pensam eles sobre o papel de um Ministério ou de uma Secretaria do Esporte dentro da visão de plano de governo de cada pleiteante a ocupar as cadeiras públicas em nível federal e nos Estados. 

Já na esfera legislativa, há questões importantes que precisam ser pautadas ou revistas para a melhoria contínua do esporte brasileiro – e da sociedade brasileira em geral. Entre elas a própria discussão que está sendo travada atualmente em Brasília sobre a dívida dos clubes de futebol e de uma forma de se reprogramar os pagamentos ao longo de muitos anos. Entretanto, mais que isso, precisa ser discutida é, nessa questão, qual vai ser o nível de responsabilidade dos gestões esportivos nesse cenário. 

O que precisa ser posto no centro da discussão sobre o esporte, atualmente, é que ele é uma forma de construção de um espaço simbólico para a sociedade. Ou, ainda melhor, a criação de uma vitrine. O que acontece no mundo esportivo ou espelha ou influencia o que acontece/acontecerá na vida cotidiana. 

Casos de desrespeito às leis, má gestão dos recursos, puxadas de tapetes, promoção de injustiças e favorecimentos, preconceitos e discriminações de qualquer natureza saem do esporte e ganham a vida rotineira. 

Se o esporte mostra que essas aberrações são “normais”, elas acabam extrapolando o mundo dos jogos e viram parâmetro para a vida. A responsabilidade social do esporte – assunto que pretendo abordar em outro momento – precisa vir para o centro do debate político. 

Precisamos saber o que pensam os nossos candidatos sobre o esporte, em si, e sobre o esporte como forma de se fazer uma sociedade melhor. Pense nisso antes de voltar. A consciência de que “queremos hospitais e escolas ‘Padrão Fifa’”, surgida durante os protestos do ano passado, não pode ser perdida. Mas se não for posta em prática na hora do voto, terá se tornado infértil. Educação e saúde de alto nível tem tudo a ver esporte levado a sério e com boas políticas públicas.

Bom voto e que os novos eleitos ajudem o Brasil a ser uma nação esportiva e socialmente vencedora!


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