Em festa anual, Casa Branca não convida repórteres LGBT, negros e críticos

Redação Portal IMPRENSA | 07/12/2017 08:19
A tradicional festa oferecida pela Casa Branca aos membros da imprensa na época do Natal está envolta em polêmicas. Ao menos dois antigos correspondentes de Washington não foram convidados para o evento deste ano. Chris Johnson, principal repórter político do "Washington Blade", que participa há sete anos do evento e April D. Ryan, chefe do departamento de Washington da American Urban Radio Networks, que participou das últimas 20 edições do encontro.
Crédito:Dominick Reuter / Reuters
Johnson, que é repórter de um veículo LGBTQ, acredita que a Casa Branca agiu de maneira proposital. "É consistente com o fato de a secretária de imprensa da Casa Branca (Sarah Sanders) não me chamar para as coletivas de imprensa", disse ele, observando que havia sido chamado apenas duas vezes nos últimos seis meses. Ele acredita que a questão sobre o convite é "apenas um pouco consistente com a política do governo para excluir as pessoas LGBTQ", disse ao “Washington Post”.

Já April, que é negra, não acredita ter sido ignorada por causa de sua identidade. No entanto, ela afirmou anteriormente que repórteres não brancos são tratados como "a oposição" na Casa Branca de Donald Trump. “Não acho que fui negligenciada", disse Ryan ao sobre a festa deste ano. "Acho que eles não gostam de mim. Por qualquer motivo, têm algum desdém por mim", disse ao jornal. 

"Agora, se você questiona, você é considerado alguém da oposição, mesmo apenas sendo alguém tentando obter os fatos", disse ela a Don Lemon, da CNN. "E se for de uma raça diferente, falando de mim mesmo, você é considerado uma oposição", comentou. 

Representantes do "Washington Blade" e da “American Urban Radio Networks” disseram ao "Independent" que ninguém de suas organizações foi convidado.

Outros veículos

Os repórteres do "Washington Post", "New York Times" e do site "Politico" receberam convites para a festa em 2017. A porta-voz do "Times" Danielle Rhoades declarou ao "Independent" que o jornal recebeu menos convites este ano do que o último, mas disse que a quantidade era "consistente com governos anteriores ao de Obama".

Já a CNN, que recebeu críticas durante todo o primeiro ano de governo Trump, decidiu boicotar o evento. Na semana passada, um porta-voz da rede disse que seria inadequado se os repórteres da emissora participassem da festa, "à luz dos contínuos ataques do presidente à liberdade de imprensa e à CNN". Por meio de seu Twitter oficial, a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, respondeu. "O Natal veio cedo! Finalmente, boas notícias da @CNN".

Em 2017, a festa deste ano será realizada em um dia de semana e deve iniciar mais cedo que nos anos anteriores. Trump e a primeira dama Melania, não devem posar para fotos com repórteres, como os governos anteriores tradicionalmente fizeram. No entanto, o evento mantém as portas fechadas à cobertura midiática.

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