“New York Times” anuncia editora de “gênero”

Redação Portal IMPRENSA | 22/11/2017 08:57
A jornalista Jessica Bennett foi anunciada pelo “New York Times” como editora de “gênero” do jornal. O posto foi criado em meio aos recorrentes escândalos de assédio sexual envolvendo personalidades da indústria cinematográfica e também jornalistas nos Estados Unidos. 
Crédito:Matthew Eisman/Getty Images
Nesta segunda-feira (20), o próprio jornal se viu envolvido em um desses casos ao ter que suspender Gleen Thrush, setorista da Casa Branca, acusado de conduta sexual inadequada por diversas colegas.  

“Senti que tínhamos uma ótima cobertura de temas que poderiam ser colocados em uma categoria de gênero, e não estávamos fazendo o melhor que podíamos para conectá-las. Fazer isso ajuda o leitor a ligar os pontos, e cria uma lente que os ajuda a se envolver com as matérias”, disse Jodi Rudoren, diretora editorial do ‘NYT’ em artigo publicado no site da revista “Teen Vogue”.

Para Jessica, autora do livro “Feminist Fight Club: A Survival Manual for a Sexist Workplace” (Clube da Luta Feminista: Um Manual de Sobrevivência para um Ambiente de Trabalho Sexista), a criação do cargo editorial vai além de priorizar a cobertura de movimentos feministas ou de violações de direitos das mulheres. “Claro que isso é importante, mas devemos acompanhar outros assuntos que o ‘Times’ já trata, como política, internacional e saúde, através de uma lente focada no gênero.”

A jornalista afirmou ainda que o tipo de cobertura feita pelo jornal precisa ser repensado. Segundo Jessica, é fundamental adotar uma postura interseccional, ao dar espaço para vozes pouco representadas na mídia e prestar atenção em detalhes sutis como o tom da linguagem, a disposição visual da reportagem e a escolha das fontes.

“Isso tem impacto em todos os lugares, embora seja algo que nem sempre está visível”, disse Jessica, sobre a desigualdade de gênero. Um dos motivos, segundo ela, é que “as instituições, inclusive as de mídia, foram criadas por e para homens brancos”.

No entanto, o “New York Times” não pretende criar uma seção específica para discutir gênero. As reportagens devem abranger outros temas, como o mundo dos negócios e dos esportes, da ciência e da moda.