Globo, Fox Sports, Televisa e Traffic são acusadas de pagar propina por direitos de transmissão

Redação Portal IMPRENSA | 16/11/2017 09:54
O empresário argentino Alejandro Burzaco, delator no caso de corrupção “Fifa Gate”, afirmou em depoimento em Nova York, nesta terça-feira (14), que Globo, Fox Sports, Televisa e Traffic pagaram propina para adquirir direitos de transmissão de campeonatos de futebol.
Crédito:Divulgação
Burzaco é ex-diretor da empresa de eventos esportivos Torneos y Competencias (TyC) e segundo ele, ao ser perguntado sobre quais grupos de mídia teriam participado do esquema por um dos promotores, citou "Fox Sports dos Estados Unidos, Televisa do México, Media Pro da Espanha, TV Globo do Brasil, Full Play da Argentina e Traffic do Brasil". Segundo o empresário, Marcelo Campos Pinto, então diretor do departamento esportivo da Globo, teria negociado com os cartolas o pagamento da propina. A informação foi divulgada em primeira mão pelo site Buzz Feed News. 

O dinheiro pago pela Globo teria sido destinado a altos executivos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol, responsável por campeonatos como a Copa Libertadores da América e a Copa América. No entanto, o delator não mencionou quais os valores pagos pela empresa.

No depoimento, houve o seguinte diálogo entre Buzarco e o promotor Samuel Nitze:

Nitze: A Torneos fez alguma parceria com outras empresas de mídia?
Burzaco: Sim.
Nitze: Com quem?
Burzaco: Várias. Fox Sports, Televisa, Media Pro, TV Globo, Full Play, Traffic, Grupo Clarín
Nitze: Alguma delas pagou propina?
Burzaco: Todas, com exceção do Clarín. Todas.

Na sequência, o promotor questionou sobre o pagamento de propina citando o contrato da Copa Libertadores:

Nitze: A Torneos mantinha informado algum de seus parceiros sobre o pagamento de propina relacionada ao contrato da Copa Libertadores?
Burzaco: Sim. A Fox Panamerican.

Buzarco também implicou dois ex-presidentes da CBF (José Maria Marin e Ricardo Teixeira), e o atual mandatário, Marco Polo Del Nero. De acordo com o delator, os três teriam recebido pagamentos de um período entre 2006 e 2015. Os valores recebidos por cada um deles chegavam até a um milhão de dólares por campeonato cujos direitos de transmissão negociavam.

Del Nero teria entrado no esquema após a morte do ex-presidente da Associação Argentina de Futebol, Julio Grondona, em 2014. O cartola brasileiro e Marin teriam pedido reajuste no valor da propina paga em troca dos direitos de transmissão. "Marin me deu um abraço e fez um discurso de agradecimento. Del Nero abriu um caderno e anotou os valores. Os dois disseram que dariam instruções sobre como queriam receber o dinheiro", afirmou Burzaco.

Na edição de terça-feira (14) do Jornal Nacional, a emissora afirmou que tentou contato com o ex-diretor Marcelo Campos Pinto, mas que não obteve sucesso. 

A Fox Sports afirmou em nota que “qualquer menção em relação a que Fox Sports teve conhecimento ou aprovou subornos é absolutamente falsa". Já a Globo, reiterou em diversos telejornais a sua isenção no caso. 

Por meio de um comunicado, a Televisa rechaçou o depoimento de Burzaco. “Em resposta a recentes publicações de mídia relacionadas ao Grupo Televisa, bem como acusações de atos de corrupção contra três executivos da Fifa, o Grupo Televisa nega qualquer irregularidade. De mesmo modo, o Grupo Televisa nunca conheceu ou autorizou, de qualquer forma, suborno ou conduta inadequada”.   

Nota da Rede Globo

Sobre o depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na Justiça americana.

Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.

O Grupo Globo se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto. A ser verdadeira a situação descrita, o Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas.

O Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que fosse diferente. Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.

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