Estados Unidos enfrentam onda de acusações de assédio; denúncias atingem NPR

Redação Portal IMPRENSA | 03/11/2017 10:50
A NPR, cadeia pública de rádio dos Estados Unidos, está investigando alegações de duas jornalistas que afirmaram terem sido abusadas por Michael Oreskes, vice-presidente sênior de notícias e diretor editorial da organização pública de radiodifusão de Washington. 
Crédito:Getty Images
As acusações acontecem na esteira de outras denúncias que chocaram o país nas últimas semanas. Após a publicação do “The New York Times” sobre as repetidas situações de assédio envolvendo o produtor hollywoodiano Harvey Weinstein, as revistas “GQ” e “Vogue” anunciaram que não trabalham mais com o fotógrafo Terry Richardson, também acusado de assédio moral e sexual por diversas modelos. Na última semana, mais acusações contra os astros Kevin Spacey e Dustin Hoffman também repercutiram na imprensa mundial. 

O editor, de 63 anos, é a última figura da mídia cuja conduta foi questionada por mulheres que trabalharam para ele ou que buscaram emprego enquanto ele estava em condições de exercer poder sobre contratações e demissões. As alegações contra o ex-editor da “New Republic”, Leon Wieseltier, e o jornalista político Mark Halperin, também vieram à tona no último mês.

De acordo com o “Washington Post”, a NPR disse na terça-feira (31) que colocou Oreskes em licença indefinida. Em depoimentos separados, as mulheres disseram que o jornalista, na época, chefe da área de Washington do “New York Times”, as beijou forçosamente enquanto elas estavam falando com ele sobre trabalho no jornal. Ambas contaram histórias semelhantes: depois de conhecer Oreskes e discutir suas pautas, disseram que ele as agarrou à força. 

As jornalistas conversaram com o “The Washington Post” sob a condição de anonimato para não prejudicar suas carreiras. Os incidentes teriam ocorrido no final da década de 1990. Oreskes juntou-se à NPR em março de 2015 depois de trabalhar no “Times” e na “Associated Press” em papéis de edição sênior. Apesar das acusações datarem de duas décadas atrás, a equipe feminina da NPR também apresentou preocupações com sua conduta mais recente.

As denúncias foram feitas aos advogados da NPR em meados de outubro. O departamento jurídico reconheceu que a organização de notícias estava investigando as informações fornecidas. Por meio de nota enviada ao “Post”, a emissora declarou: "Levamos esses tipos de alegações muito a sério. Se uma preocupação é levantada, revisamos o assunto prontamente e tomamos as medidas adequadas para assegurar um ambiente de trabalho seguro, confortável e produtivo. Por uma questão de política da empresa não comentamos questões pessoais”. Já Oreskes não respondeu aos múltiplos pedidos de entrevista do jornal. 

Nesta quarta-feira (1), a CNN publicou uma matéria alegando que dentro da NPR há uma insatisfação entre os funcionários com o CEO Jarl Mohn e sua atuação pouco enfática contra Michael Oreskes.

Os jornalistas da organização descreveram a “CNN” estarem com raiva e ressentidos e que essa passividade com relação ao acusado poderia ter efeitos negativos nos próximos dias. Em entrevistas a emissora, nove funcionários disseram acreditar que Mohn não levou as acusações de assédio de Oreskes a sério. "Há queixas repetidas à administração há mais de um ano, e nada aconteceu", disse uma das fontes também sob condição de anonimato.

No mesmo dia Oreskes renunciou após a divulgação da matéria do “Washington Post”, que trazia detalhes sobre os assédios. Mohn, no entanto, negou que somente tenha agido depois da publicação do jornal. "Nós agimos", disse Mohn em um memorando interno. "Alguns dos passos que tomamos foram visíveis e outros não. Temos um processo no local e seguimos esse processo".

Alguns funcionários sentem que a NPR deve investir em investigações externas e internas sobre a conduta de Oreskes. Segundo eles, a emissora tinha conhecimento sobre o que se passava. A respeito dessa possível investigação, uma porta-voz da NPR afirmou que "Oreskes não é mais um funcionário da NPR".

Mais cedo, Oreskes disse em uma declaração que "meu comportamento era errado e inescusável, e eu aceito a total responsabilidade".

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