Falso repórter fotográfico engana veículos de todo o mundo e está foragido

Redação Portal IMPRENSA | 01/09/2017 14:12
Em sua coluna no site Waves, o jornalista Fernando Costa Netto contou “uma história de cair o queixo”, conforme sua própria definição. O relato é sobre o repórter fotográfico de guerra Edu Martins, um brasileiro que se aventurava em regiões de conflito e se especializou em imagens de guerra e também de surf, esporte que afirmava ter ensinado para crianças na região de Gaza.  

Crédito:Reprodução Instagram

Martins tinha em suas redes sociais seguidores importantes, como os veículos BBC, Wall Street Journal, Al Jazeera, Le Point, Lens Culture e Vice. Como se não bastasse toda essa chancela dos principais periódicos do mundo, o fotógrafo também era seguido pelas Nações Unidas. 

“Nas duas últimas vezes em que falamos, sempre pelo WhatsApp, ele me disse que estava exausto, abalado emocionalmente pelos meses em Mosul, mas que iria para Raqqa, Síria, para mais uma investida. Em seguida, voltaria ao Brasil”, relata Netto em seu texto. 

O jornalista conta ainda, que a última vez em que conversou com Martins, também pelo aplicativo de mensagens, o convidou para contar sua história. “O cara de pau me respondeu: ‘Estou na Austrália. Tomei a decisão de passar um ano uma van. Vou cortar tudo, inclusive internet. Quero ficar em paz, a gente se vê quando eu voltar. Qualquer coisa, me escreve no dudumartisn23@yahoo.com. Um grande abraço, Vou deletar o zap. Fica com Deus. Um abraço’”, disse.

O que se passou a partir desse contato, foi o mais curioso. Um dia antes dessa conversa, Netto afirma ter recebido dois telefonemas de repórteres de grandes veículos – um brasileiro e outro inglês – perguntando se ele o conhecia. “eu o conhecia e achei estranho. Um deles me disse que estavam desconfiados que o correspondente freelance no Oriente Médio provavelmente não existia, que o @edu_martinsp na realidade era um perfil falso e que estavam investigando”, esclarece.

Edu Martins, na realidade, nunca existiu. E de acordo com a apuração realizada por Netto, o falso fotógrafo nunca existiu e, por mais de um ano enganou os principais veículos de comunicação do mundo e também as Nações Unidas. “Também apurei que a polícia está no caso e que, em breve, irão prendê-lo por crime na internet, danos morais, roubo de imagens e mais um monte. É uma pena. Qualquer notícia informo por aqui. Bom dia a todos”, finaliza Netto.