Pesquisa aponta que 45% de sites independentes da América Latina já foram alvo de violência

Redação Portal IMPRENSA | 21/07/2017 12:43

O relatório "Ponto de Inflexão", que mede o impacto e o crescimento da mídia digital independente, atesta que 45% dos veículos analisados na pesquisa já sofreram algum tipo de ameaça, violência ou chantagem por causa de sua produção jornalística. O estudo da SembraMedia, organização sem fins lucrativos que apoia jornalistas empreendedores, abrangeu 100 meios de mídia online de Argentina, Brasil, Colômbia e México. 

Crédito:Twitter/Reprodução

“Empreendedores da mídia digital estão transformando profundamente o modo como o jornalismo é conduzido na América Latina. Eles geram mudança, promovendo leis mais adequadas, defendendo os direitos humanos, expondo a corrupção e combatendo o abuso de poder. Estão determinados a produzir notícias independentes em países extremamente polarizados - e muitos deles estão pagando um alto preço por isso”, afirmou Janine Warner, cofundadora da SembraMedia e bolsista do Centro Knight do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ).


O impacto causado por esses veículos pode ser medido pela repercussão de suas reportagens. Dos sites pesquisados, 66% deles tiveram seu trabalho reproduzido na mídia internacional e 72% afirmaram que a produção jornalística deles influenciou a cobertura da mídia tradicional de seus países. Outro dado relevante é que 55% dos entrevistados conquistaram prêmios de jornalismo e humanitários por seu trabalho.


O estudo ressalta números modestos de faturamento desses meios independentes. Apenas 12% deles têm receita anual igual ou superior a US$ 500 mil e mais de 70% dos entrevistados começaram o negócio com menos de US$ 10 mil. Nessa categoria, 84 veículos foram levados em consideração, porque dez não forneceram dados financeiros e seis foram desconsiderados por estarem “muito fora da curva”.


Um dos pontos positivos aferidos diz respeito a representatividade. Desses 100 sites pesquisados em Argentina, Brasil, Colômbia e México, 40% do total de seus fundadores são mulheres. A pesquisa indica que a criação de startups de mídia é uma forma de driblar barreiras de gênero que elas encontram na mídia tradicional.


Disponível em inglês, português e espanhol, o estudo completo pode ser baixado aqui.


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