Justiça turca proíbe circulação de jornais ligados à oposição

Redação Portal IMPRENSA | 30/10/2015 11:00
Os jornais turcos Bugün e Millet, pertencentes ao grupo Ipek-Koza, assim como os canais Bugün TV e Kanaltürk, que tiveram de interromper suas transmissões última na quarta-feira (28/10), foram impedidos de ir às bancas.

Crédito:Reprodução
Jornais foram proibidos de ir às bancas, mas jornalistas divulgaram as capas

De acordo com a AFP, o redator-chefe do Bugün, Erhan Basyurt, informou que recebeu uma notificação proibindo que o diário fosse impresso. "Havíamos fechado a edição de nosso jornal e já estava indo para a prensa", contou.

Basyurt e outros dois jornalistas foram demitidos na última quinta (29/10). Um dos repórteres publicou a primeira página da edição que seria publicada. A foto mostra uma carteira de imprensa ensanguentada de um de seus jornalistas acompanhada da manchete "Um golpe sangrento".

Na última quarta-feira (28/10), a polícia invadiu a sede dos canais Bugün TV e Kanaltürk após uma decisão proposta pelo presidente do país, Recep Tayyip Erdogan. O confronto começou quando os funcionários resistiram em deixar o edifício. Os agentes utilizaram gás lacrimogênio e jatos d’água para dispersar profissionais que se manifestavam contra o golpe. 
 
O grupo Koza-Ipek é acusado pela promotoria de Ancara de financiar, recrutar e fazer propaganda a favor do imã Fethullah Gülen, principal rival do presidente Erdogan, e lidera uma ONG e diversas empresas que o governo classifica como "organizações terroristas".

O conflito entre o governo e a imprensa cresceu nas últimas semanas com a aproximação das legislativas, em que Erdogan e seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) visam recuperar a maioria absoluta que tiveram durante 13 anos no Parlamento e que perderam nas eleições de junho.

Segundo a Organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Turquia ocupa a 149ª posição entre os 180 países citados na classificação mundial da liberdade de imprensa.

Leia também