Ex-alunos lançam última publicação de Toninho Mendes

Denilson Oliveira | 02/02/2018 12:00
Os ex-alunos do curso Segredos da Edição, ministrado por Toninho Mendes, em dezembro de 2016, lançarão amanhã a revista HvírusQ, último trabalho feito pelo editor de quadrinhos, morto há um ano.  

A homenagem fará parte da programação do 34º Troféu Angelo Agostini – Os melhores dos quadrinhos nacional, que será realizado amanhã, às 13h, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Crédito:arquivo pessoal


A revista, que estava em fase final de produção quando Mendes faleceu, será lançada pela Editora Criativo e trará uma biografia em quadrinhos de Adoniran Barbosa – feita pelos cartunistas Franco de Rosa, Antonio Lima e Wanderley Felipe, além de outras HQs e o conto “Jabuticabas no Éden”, do escritor Gláuber Soares.

Crédito:Divulgação

A capa e logotipo dessa edição foram desenvolvidos pelo designer gráfico, colorista e estudioso de quadrinhos Marco Muchão. Ele também contribuiu com o artigo onde correlaciona os quadrinhos com o design gráfico e trabalhou com Mendes na diagramação da revista.


"Toninho Mendes foi um grande mentor, servindo de grande ajuda para meu processo artístico e criativo", palavras do cartunista Daniel Aguiar, que criou “Cartuns Selvagens”, outro quadrinho que faz parte da revista.

Antônio de Souza Mendes Neto nasceu em Itapeva, interior de São Paulo. Vindo dos jornais independentes Versus e Movimento. Em 1980, criou a Marco Zero, responsável pelo lançamento do primeiro livro de Paulo Caruso, “Natureza Morta”, com caricaturas que o artista fazia para a revista IstoÉ.

Em 1984, fundou a Circo Editorial. Lá, reuniu um time de chargistas e ilustradores de primeira grandeza, como Alcy, Angeli, os irmãos Chico e Paulo Caruso, Glauco, Laerte e Luís Gê. 

Mendes também foi responsável pela criação da Chiclete com Banana, que chegou às bancas em outubro de 1985, trazendo na capa Bob Cuspe e Rê Bordosa, personagens de Angeli. Também fizeram parte do portfólio da editora outros clássicos dos quadrinhos brasileiros, como Piratas do Tietê, Níquel Náusea e Geraldão.

Ficou à frente da Circo até 1995, mas problemas financeiros e na administração o obrigaram a encerrar as atividades da editora e o levaram para o Bank Boston, onde trabalhou como editor do jornal interno do banco. Em 1998, ele também foi responsável pelo projeto gráfico da Gazeta Mercantil e ainda teve passagens pelas editoras Samba e Devir, no início da década de 2000. 

Em 2010, abriu a Peixe Grande, editora criada para contar a história da pornografia e da censura no país. Seu principal trabalho dessa fase foi “Quadrinhos Sacanas – O Catecismo Brasileiro”, que ganhou o prêmio HQ Mix, o principal da indústria de quadrinhos, como melhor publicação erótica de 2010. Em 2014, lançou O livro “Humor Paulistano- A Experiência da Circo Editorial 1984 – 1995”, pela Editora Sesi, no qual relatava sua experiência à frente da editora.