Jornalistas estão entre os que menos utilizam Lei de Acesso, afirma ministro da CGU

Marilia Marasciulo (colaboração) | 05/05/2017 11:00
Somente 1,2% das demandas por informações públicas feitas nos últimos cinco anos vieram de jornalistas. O dado foi apresentado pelo ministro Torquato Jardim, do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU) durante o 9º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, realizado na última quarta-feira (3), em Brasília. 
Crédito:Renato Alves
Segundo o ministro, 75% dos pedidos feitos entre maio de 2012 e 2017 foram deferidos. Em 2012, foram 55 mil pedidos; em 2016, 112 mil; e, até o início de maio deste ano, 41 mil. Destes, 95% vieram de pessoas físicas, 15% de empregados privados e 1,2% de jornalistas. "Fiquei muito surpreso quando vi essa estatística e deixo aqui o convite: venham ao portal da transparência", disse.

O mediador da palestra, Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), observou que há entre os jornalistas uma sensação de que o acesso aos dados é dificultado. "Parece que tudo está lá, mas não se consegue chegar", disse. "Muitos colegas reclamam da sensação de que é preciso ser hacker para encontrar os dados e que, embora a lei esteja sendo cumprida, não é com boa vontade." O ministro rebateu e afirmou que, ao menos no Portal da Transparência, a assessoria de imprensa está disponível para ensinar os jornalistas a navegarem e que existe um passo a passo no site para ajudá-los neste sentido.

Na sequência, durante a conferência de encerramento do Fórum, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles também abordou a questão da transparência. De acordo com o ministro, houve queda da confiança entre os brasileiros a partir de 2011 e, como consequência, a população adotou um comportamento defensivo diante da incerteza econômica. "Uma das posturas que adotamos é a de recuperação da confiança através da transparência e da confiabilidade dos dados apresentados", disse. 

Ele defendeu ainda que o governo está sendo transparente nas divulgações sobre a reforma da Previdência e negou que a equipe econômica use dados incorretos sobre o tema. "Pedimos auditoria do Banco Mundial nas contas da Previdência e a OCDE virá fazer uma auditoria por conta própria. A ideia é acabar com essas controvérsias."

Troféu do Portal e Revista IMPRENSA 

Há nove anos, o Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia reúne profissionais da área e o público em geral para debater sobre o papel da imprensa na sociedade e os riscos de interferências na liberdade de atuação dos jornalistas. Na edição deste ano, realizada no auditório da OAB em Brasília no dia 3 de maio, foi lançado o Troféu Liberdade de Imprensa, concedido a quatro brasileiros que desempenham um papel importante na defesa da liberdade de imprensa no país.

O troféu foi concedido a um jornalista, um legislador, um magistrado e um acadêmico. Nesta edição de lançamento com apoio da Souza Cruz, os homenageados foram Caco Barcellos, jornalista e criador do programa Profissão Repórter; Miro Teixeira, deputado federal pelo Rio de Janeiro; Carlos Ayres Britto, advogado e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal e relator do julgamento de inconstitucionalidade da Lei de Imprensa; e Fernando Schuler, Doutor em Filosofia e titular da Cátedra Insper e Palavra Aberta.