3ª geração do HIV: netos de soropositivos e a vida sem o vírus

Conteúdo Patrocinado* | 07/04/2017 15:00
Com oito meses de vida, ativo e saudável, o pequeno Gabriel brinca no colo da mãe enquanto ela fala da sua experiência como portadora do vírus HIV, em entrevista ao telefone. A carioca Tatiane, de 20 anos, deu a luz ao filho em março e desde os 11 anos realiza tratamento para controlar o HIV no Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP), do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE). Ela foi infectada ainda na barriga da mãe, a chamada transmissão vertical. Seu filho nasceu sem vírus, após passar por um tratamento especializado no pré-natal, com a mesma equipe que a acompanhou no HFSE.



Tatiane tomava cinco comprimidos antirretrovirais por dia, ao longo da gestação e, ao nascer, o seu filho tomou remédios por 28 dias para completar a terapia. A assistência foi prestada pelo Programa de Prevenção de Transmissão Vertical do HIV do HFSE, que existe há duas décadas e promove estratégias para interromper este tipo de infecção, garantindo uma vida mais saudável para a terceira geração destas famílias.

Maria Letícia Cruz, médica do DIP, publicou um artigo sobre a interrupção de infecção por HIV de mães para filhos, no qual relata o acompanhamento da gestação de 22 soropositivas, entre 2011 e 2014. Ela explica a abordagem para que todos os bebês nascessem sem o HIV: “Muitas crianças e adolescentes soropositivos não realizaram o tratamento corretamente e isso pode gerar uma resistência aos antirretrovirais. Para ter uma carga viral baixa, não pode haver interrupção de doses da medicação e por vários fatores isso acontece. Pacientes desistem do tratamento, por exemplo. Quando essas jovens ficam grávidas, iniciamos o pré-natal especializado para não ocorrer a infecção do bebê”, explica Letícia.

Segundo a especialista, a resistência a antirretrovirais demanda uma atenção individualizada para investigar geneticamente o vírus e adotar uma conduta terapêutica adequada ao perfil da paciente e a sua respectiva carga viral. Esse mapeamento torna mais eficiente o tratamento - com medicações disponíveis pelo Sistema único de Saúde (SUS) – a fim de interromper a transmissão do vírus para o feto. Os resultados afetam positivamente a vida de pessoas como Tatiane, trazendo esperança à terceira geração de familiares dos pacientes infectados com HIV no Brasil.


Casos de Aids -
A epidemia da doença no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,7 casos a cada 100 mil habitantes, o que representa cerca de 40 mil casos novos ao ano. Desde o início da epidemia de Aids no Brasil – em 1980 –, até junho de 2015, foram registrados no país 798.366 casos. A epidemia tem se concentrado, principalmente, entre populações vulneráveis e os mais jovens. Em 2004, a taxa de detecção entre jovens - de 15 a 24 anos - era de 9,5 casos a cada 100 mil habitantes, o que equivale a cerca de 3,4 mil casos. Já em 2014, esse número foi de 4,6 mil casos, representando um taxa de detecção de 13,4 casos por 100 mil habitantes, um aumento de 41% na taxa de detecção nessa população.

**Nomes dos personagens foram trocados para preservar a identidade dos pacientes

*Conteúdo oferecido pelo Ministério da Saúde