"Mulheres nas redações: maior espaço, menores salários"

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (Março/2017), por Andressa Lima

Andressa Lima | 06/04/2017 20:05
FOCA NA IMPRENSA

"Mulheres nas redações: maior espaço, menores salários"

Tema: "As mulheres hoje têm a mesma equiparidade (salarial, oportunidade, espaço) que os homens no jornalismo?"

AUTOR(A): Andressa Lima

PUC-SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - 5º semestre

Ser bom no que faz. Este deveria ser o critério norteador das empresas na hora da contratação de um profissional, independentemente da área. Entretanto, o processo seletivo das organizações não deixa de reproduzir preconceitos sociais e, seja na hora de estabelecer o salário ou escolher qual funcionário será promovido, os filtros de seleção não se limitam ao desempenho.

Em uma sociedade que fala em meritocracia, chega a ser irônico perceber que para além de merecer, é preciso apresentar um certo 'padrão' que corrobore o tal do 'merecimento'. E esse padrão, além de branco, é masculino. E o jornalismo não está distante disso. 

Se no meio cinematográfico, que tem ampla visibilidade social, as mulheres não deixam de ser tratadas de forma desigual, as redações, que ajustam os holofotes para o que está além delas, não são muito diferentes.
 
Desde seu início, a profissão no Brasil foi tida como masculina. E as empresas jornalísticas reafirmavam isso não apenas na contratação de jornalistas homens, mas também na própria estrutura dos jornais que não era pensada para que mulheres pudessem estar ali. 

Segundo relato do jornalista José Hamilton Ribeiro, na década de 1930 nem sequer havia banheiro feminino nas redações, apesar da presença feminina. "As empresas jornalísticas eram pensadas e construídas como ambiente de sauna brega: só para homem. [...] Mulher podia ser telefonista, faxineira ou servia para fazer o café: circulava na área de serviço" (RIBEIRO 1998: 31). 

Segundo o artigo "A inserção das mulheres no jornalismo e a imprensa alternativa: primeiras experiências do final do século XIX", da mestre em Ciências da Comunicação e jornalista Eliza Casadei, o ambiente da redação tal qual descrita por José Hamilton Ribeiro foi mudando, mas a passos lentos. 

Na década de 1980, a presença feminina na redação subiu para 36% do quadro de profissionais, e em 1990 estava em 40%. Neste mesmo artigo, a jornalista cita dados do Ministério do Trabalho que mostram que as mulheres só foram ultrapassar a presença masculina nas redações (52%) em 2005. Em um estudo mais recente, feito em 2012 pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas, ficou provado que hoje as mulheres detém 64% da presença nas redações.

Frente a esses dados, no entanto, cabe a nós questionar se a presença quantitativamente maior realmente significa "equiparidade".

Buscando responder a um questionamento referente à média salarial dos profissionais das redações hoje no Brasil, o jornalista especializado em mídias sociais Flávio Moreira fez uma pesquisa com 236 profissionais do setor. Uma das conclusões do texto que, posteriormente foi publicado no Portal Comunique-se, é a seguinte: "mesmo com participação mais baixa em cursos de pós-graduação, homens têm média salarial R$ 1.000 mais alta que mulheres".

A pesquisa, vale ressaltar, é de março de 2017. Ou seja, um mês atrás.